Choca-me a tremenda hipocrisia de quem neste caso se queixa da “morosidade” da justiça, mas que assobiou para o lado perante o facto de o Teixeira, com o assentimento e apoio activo do Alexandre, terem gasto anos para parir um megaprocesso paranóico, materializado em toneladas de papel. Eles provavelmente esperavam que ninguém lesse ou analisasse aquelas prateleiras recheadas de dossiers e rezavam para que, caso fosse pedida a instrução, voltasse o Alexandre a ser o escolhido para a piedosa função de, em meia dúzia de dias, assinar de cruz aquilo que o Teixeira e ele próprio haviam parido durante anos.
Ora a origem deste megaprocesso, muito para além da ideia tabernária e conspiracionista de que “isto anda tudo ligado”, radicou sobretudo no facto consabido de os acusadores se debaterem, desde o início, com a grande escassez ou inexistência de matéria probatória substancial, a que eles chamam “provas directas”. Pudera, tudo partira de uma fezada nascida do ódio político a Sócrates, que depois se desmultiplicou em sub-fezadas e fezadinhas, todas brotadas do mesmo reles sentimento.
Para ultrapassarem o pequenino problema de terem de provar aquilo para que não tinham provas, engendraram um cenário inquisitorial gigantesco, assente numa miríade de alegadas provas “indirectas”, vulgo suposições, conjeturas e fantasias, destinadas a afogar o acusado num mar de suspeição. O objectivo era não só o de criar na opinião pública e nos próprios meios judiciais um clima de condenação apriorística de Sócrates (julgamento de rua), mas também o de, pela multiplicação de acusados, inquiridos e testemunhas, aumentar a probabilidade de algum “elo fraco” da imaginada conspiração “quebrar” e meter a boca no trobone, mediante até possível chantagem – como parece ter acontecido no caso da mudança de depoimento do mafioso Battaglia, que o juiz Ivo Rosa achou, justamente, altamente suspeita.
Se houve morosidade, foi porque ela era absolutamente forçosa, nas circunstâncias do megaprocesso por que a própria acusação optou, e também porque não tinham provas e esperavam que, com tempo, as obteriam. Andaram anos a devassar a vida de milhares de pessoas, na esperança de conseguir alguma coisinha.
As carpideiras da morosidade não chorariam agora se a estratégia da mega-acusação tivesse resultado. Fazem-me lembrar as carpideiras da demora na apresentação dos resultados das últimas eleições americanas. Tanto tempo a contar votos? É muito suspeito! Se o macaco tivesse sido reeleito, todos os dias gastos a contar votos teriam sido abençoados.
Choca-me também a tremenda hipocrisia da canalha que ignora absolutamente o que seja elegância e que agora se queixa da alegada “deselegância” e dos “termos jocosos” do texto da decisão instrutória de Ivo Rosa. Essa canalha nunca se queixou ou sequer reparou, e muitas vezes até alinhou nas insinuações, suspeições, acusações e pressões exercidas publicamente sobre o mesmo juiz desde que ele foi sorteado para a instrução (realmente sorteado, ao contrário do Carlos Alexandre, que foi escolhido por alguém nas vielas escuras da Magistratura para encaixar no que se pretendia e que, apesar disso, ainda teve o descaramento de pôr em causa a validade do sorteio de Ivo Rosa).
__
Oferta do nosso amigo Júlio
Do blogue Aspirina B
Sem comentários:
Enviar um comentário