Não me iludo ao ponto de
considerar que constitua sondagem fiável a implícita no universo dos meus 3692
amigos do facebook pela qual facilmente concluiria haver uma percentagem
significativa de portugueses incomodados com a ideia de um apoio estatal aos
meios de comunicação social. O governo já espalhou umas migalhas por uns
quantos jornais, Marcelo atua como lobista desses e doutros candidatos aos
reivindicados subsídios, que dizem indispensáveis para garantir a
sustentabilidade de quem não tem revelado mérito bastante para evitar o
desiderato expectável.
Admito que haja quem, fora do
universo da referida “sondagem”, considere a esmola necessária em nome de uma
imprensa plural e objetiva. O problema é que os candidatos ao óbolo não
apresentam credenciais merecedoras de se vir a colher tão desejável resultado.
Na edição de hoje do «Público», o prof, J-M. Nobre-Correia publica um artigo de
leitura obrigatória sobre o assunto em que explica as razões de recusa desse
tipo de apoio à imprensa desportiva e aos jornais regionais. A sua prosa
elegante e inteligente deixa implícitas as razões que, de forma mais
truculenta, podemos sintetizar no seguinte: a imprensa desportiva não justifica
essa mercê pelo muito que tem contribuído para a criação de uma (in)cultura de
seita clubística, que, aqui e noutros países, constituem o ninho de víboras
onde germinam os ovos do pós-fascismo atual. E sobre os jornais regionais
quantos deles escapam à condição de porta-vozes de caciques locais pouco
recomendáveis?
Há uns anos numa Universidade de
Verão organizada na pousada da Juventude do Pragal o excelente jornalista que é
Paulo Pena considerava possível o relançamento de um projeto do tipo do saudoso
«O Jornal», liberto da tutela dos grandes grupos económicos e capaz de
sobreviver à custa dos leitores e do engenho dos seus cooperantes. A
dificuldade estaria em garantir o milhão de euros, que então estimava
necessário para o seu lançamento. Daí que, se é exigido ao governo um apoio
substantivo á imprensa ele deverá passar pela aprovação de uma linha de crédito
a uma publicação semanal dotada de uma rigorosa e ativa provedoria, que
assegure o cumprimento da tal pluralidade e objetividade inerente ao código
deontológico dos jornalistas e tão atropelado pela maioria dos que vemos
atuarem desabridamente nas televisões, nas rádios e nos jornais. Só que pode
bem imaginar-se o alarido que tal medida suscitaria por parte de quem se
constitui como porta-vozes da parcela passista-cavaquista do PSD como o são o
«Expresso » ou «O Observador»! Porque o medo de perderem influência perante um
concorrente capaz de produzir melhor e mais fiável informação é plenamente
justificado!
A crise por que passa a imprensa
enfeudada aos grandes grupos económicos e financeiros (ou aos que pretendem vir
a sê-lo) nunca deverá justificar que recebam dinheiro de quem, pelo voto
maioritário nas esquerdas, se sabem zangados ou meramente cansados com os
conteúdos criados dentro da lógica de se tornarem verdades à conta de se verem
tantas vezes repetidos. E muito menos se poderá facilitar a vida aos agentes da
Cofina que as nossas secretas devem ter debaixo de olho para corresponderem
aquilo que o Conselho de Fiscalização do Sistema de Informação da República
Portuguesa acaba de denunciar como um dos perigos mais sérios, que nos espera
no futuro próximo: o crescimento da extrema-direita e das suas ações
criminosas. Se assim é - e não duvidamos que o seja! - para quê atribuir
dinheiro que descontamos nos nossos impostos para que os Venturas, os Cotrins,
e outros que tais, ameacem a nossa Democracia através dos altifalantes
generosos, que essa «imprensa» tanto gosta de propagandear...
Do blogue Ventos Semeados
Publicada por jorge rocha

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