Eu não me lembro de enxovalho
assim desde aquele célebre dia em que João Galamba cilindrou Vitor Gaspar em
pleno Parlamento, aquando daquela sua peregrina ideia de baixar a TSU às
empresas ao mesmo tempo que a subia na mesma proporção aos trabalhadores.
Lembro-me do seu ar atónito e
acabrunhado, assim como quem pensa para si mesmo “meti mesmo o pé na poça”.
Desta vez, há dias e numa audição no Parlamento, assistimos a uma postura
diferente do atingido: uma postura também ela de incredulidade mas jactante, tão
jactante quanto a sua figura e ignorância.
Era acerca do futuro da TAP e o
deputado do CDS, fazendo a figura de verdadeiro cão de fila, quando o Ministro
Pedro Nuno Santos o informava que o Estado estava a avaliar todas as soluções,
decretou: Mas nacionalização não aceitamos!
A sua solução (a dos Privados que
com 45% do capital “governam” a TAP) era a da obtenção por estes de um
empréstimo de 350 milhões de Euros mas…com o Aval do Estado! Era “Governance”
dizia ele…
“Governance” deve ter sido a
única coisa que deverá ter aprendido pois todos nós sabemos, sejamos formados
em Economia ou não, que quando uma empresa precisa de capital e os acionistas
querem manter a sua posição societária têm que acorrer ao aumento de capital na
devida proporção.
Mas o “inteligente”, defendendo
os seus donos, queria que fosse o acionista Estado, que possui 50% do capital,
mas sem “governance”, a garantir o empréstimo dos acionistas privados, que têm
45%, e tudo ficasse na mesma. Mas, na verdade, a isso foram sempre habituados…
Quando confrontado com a verdade
quase “Lapaliciana” de que um Aval do Estado a gestores que já antes da crise
do Covid 19 e em anos de alta apresentavam progressivos prejuízos, era um Aval
do Povo Português, que fatalmente o teria que pagar…abanou os ombros e, naquele
seu ar de boneco “Felliniano”, só disse, “ Governance”…
Depois PEDRO NUNO SANTOS deu-lhe
uma autêntica aula de GOVERNO, mas ele não deve ter entendido nada: o sacar
dinheiro ao Povo é a sua “Governance”, aquilo que lhes ensinaram e a única
coisa que aprenderam…
Fantástico é ouvir depois
comentadores e comentadores recriminarem Pedro Nuno Santos, o Ministro da
pasta, e defenderem a gestão dos privados, como se a crise da TAP e da sua
gestão tivessem começado agora com a crise da Pandemia. E mais, respaldando-se
das palavras de Costa na entrevista à RTP que, não estando numa audição no
Parlamento respondendo a perguntas concretas, estando em causa diversas
variáveis e soluções, foi mais comedidido e evasivo.
Logo concluíram essas aves de
rapina todas, sedentas de alguma pequena fuga, incoerência ou desacerto, ter
Costa dado uma sutêntica “sapatada” no seu Ministro porque, dizem eles, será um
putativo seu sucessor, e Costa isso não perdoaria!
À falta de melhor, porque Costa e
o seu (nosso) Governo não lhes têm dado motivos, agarram-se a uma palhinha
querendo logo fazer dela um palheiro! Mas sempre naquele confuso estado de alma
que os apoquenta: Não podendo dizer que Costa tem estado mal e antes pelo
contrário até são obrigados a dizer que esteve bem, têm que acrescentar um
“mas”, sempre um “mas”…
Mas se eu hipoteticamente fosse
por um desses perguntado ( e isto é apenas retórica), questionado ou
pressionado, coisa que eu bem percebo da actividade jornalística, sobre algo
que todos sabemos ser incerto e desconhecido, insinuando entre palavras dúvidas
sobre as atitudes tomadas com destemor e coragem percebendo bem o pulsar da
sociedade pelo Governo, também eu seria um pouquinho agreste e desmedido e
responderia: E você, o que faria?
É claro que sendo isto apenas
retórica, reflete apenas uma certa impaciência perante perguntas e mais
perguntas completamente desajustadas como: “Acha que vamos poder ir para a
praia no Verão”? Acha que vamos ter Festivais no Verão?”. É claro que a única
resposta possível seria na mesma linha: E o Senhor, que acha?
Pelo que, sabendo qualquer pessoa
a situação em que estamos e muito mais os Jornalistas, sabendo todos que ainda
nada sabemos e nem sequer os cientistas, porque é que essa gente não se
consegue imaginar na posição de quem tem de tomar decisões, sem qualquer
informação ou intuição que não recurso ao bom senso, continua a pavonear a sua
imbecilidade fazendo essas perguntas, sem qualquer achega que seja a um
sentimento positivo?
Vi e ouvi há dias um Empresário
Português, um daqueles que rápidamente conseguiu fintar a crise e falta de
encomendas e mudar o objecto de produção da sua Empresa, dizer a frase basilar
e que é aquela que nos distingue e levou a própria OCDE a afirmar estarmos em
primeiro lugar no ranking dos Países que mais projectos inovadores lançaram
nesta crise:
Nós estamos do lado das soluções
e não dos problemas!
À ESQUERDA DO ZERO
Joaquim Vassalo de Abreu
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