Na antevéspera da segunda fase do
desconfinamento a imprensa em geral reconheceu a confiança com que o
primeiro-ministro anunciou a semialforria dada aos portugueses para saírem de
casa e retomarem alguns dos hábitos anteriores. O de irem ao restaurante, visitarem
museus, voltarem às plateias dos cinemas ou, muito proximamente,
retemperarem-se com vitamina D nos areais atlânticos. Para além de, retomando a
presença física nas empresas, devolverem aos patrões a responsabilidade pelo
pagamento da água, da eletricidade, da climatização e de outras despesas
ultimamente por si pagas durante o teletrabalho.
António Costa tem todas as razões
para exibir o otimismo, que tanto irrita Marcelo. As sondagens dão-no como
abeirando-se da maioria absoluta, dado Rui Rio evidenciar a bipolaridade de uns
dias parecer responsável e colaborante para, nos outros, se apegar à primeira
oportunidade, que julga capaz de o diferenciar para melhor de quem lidera a
resposta à crise. Nessas contradições vai lembrando a inconsequência de um
qualquer general enleado num labirinto sem saída. E o mesmo sucede com a demais
oposição à direita: o Aldrabão vai caindo no apreço dos iludidos apoiantes
apressando-se a competir com o CDS e a IL como lanterna vermelha dos partidos
com representação parlamentar.
Quanto aos antigos parceiros da
maioria da legislatura anterior nada os faz alavancar os apoios curtos, que
concitam: enquanto o Bloco mantém os sintomas da doença infantil
invariavelmente associável a quem tanta pressa tem em chegar aos objetivos, que
deixa para trás quem deles tiraria melhor proveito, o PCP denota a perigosa
senilidade de quem, teimando em quem é, esquece inevitavelmente as mudanças que
lhe deveria melhorar a resiliência a um tempo que, assim. deixa de ser o seu.
Quanto ao PAN, o que dizer, da incurável hibridez, de quem se guia por uns
quantos conceitos e preconceitos sem conseguir deles dar aparente coerência?
Existem, pois, todas as razões
para acreditarmos na grande vantagem de enfrentarmos os desafios da recuperação
desta crise com quem mais habilitado está para a superar. A exemplo do que o
fez entre o final de 2015 e o início deste ano. E para quem julgava que a
demissão de Mário Centeno poderia pôr em causa a competente governação
socialista dos próximos anos, bem pode desiludir-se: seja como ministro das
Finanças, seja como eventual governador do Banco de Portugal, continuará a ser
esteio fundamental para que, daqui a um par de anos, olhemos para este início
de década e concluamos ter sido um período complicado depressa vencido.
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados

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