Não se trata de gratuita ofensa,
porque as palavras foram de Ana Gomes, quanto à forma como se sentiu ao ouvir
as declarações de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa na ida à Autoeuropa.
Mas o comedimento de quem parva se sente, exigiria o recato do silêncio para
não dizer ... parvoíces.
A antiga embaixadora em Timor e
deputada europeia, às vezes desassombrada nas suas posições, que a seu favor
conta o lado certo da trincheira em muitos combates em que batalhou - e um dos
mais relevantes foi a tentativa de levar Paulo Portas à verdadeira Justiça por
causa do negócio dos submarinos! - também facilmente se deixa levar pelo
empolado ego e arrastar-se para outros em que se valorizaria a contenção quanto
a disputas a contento dos que há mais de cinco anos se inconformaram com a
derrota de António José Seguro e tudo têm feito para semearem de pedras o
caminho de António Costa como primeiro-ministro. Francisco de Assis é o cabeça
de fila dessa frustrada tendência não sendo por acaso que tenha vindo da sua
pena a proposta para o lançamento da candidatura de Ana Gomes.
Olhando para trás há um sabor a
requentado numa remake, que contou com Maria de Belém como cabeça-de-cartaz em
anterior jogada, que se saldou vitoriosa para os seus promotores. Porque, há
cinco anos, os defensores dessa candidatura não tinham qualquer ilusão quanto
aos méritos da consultora do Grupo Luz Saúde para o cargo de presidente da
República, mas motivava-os a derrota de quem António Costa dera claros sinais
de apoiar ao convidá-lo para o Congresso do Partido no Parque das Nações:
António Sampaio da Nóvoa.
Sei fútil o exercício da
conjetura alternativa da História, mas sempre questionarei o que teria sucedido
se a jogada dos que se acoitaram por trás de Maria de Belém não se tivesse
verificado e todo o partido se tivesse batido pelo atual embaixador na Unesco?
Quase certamente teríamos uma segunda volta em que, no debate decisivo, o
candidato então apoiado por toda a esquerda, voltaria a repetir o banho dado a
Marcelo no da primeira volta e poderia ter chegado a outro resultado.
Digo-o hoje, como então, e sei
que muitos pensam do mesmo modo: não foi só Marcelo a privar o país de quem
mais tinha as melhores capacidades e condições para ser o Presidente da
República de que necessitávamos nas circunstâncias vividas desde então. Essa
acusação melhor se aplica a esses autoproclamados socialistas, que mantém as
quotas em dia para melhor o sabotarem por dentro. Porque execram as opções de
convergências preferenciais com as esquerdas em defesa da sua mercadofilia que,
a manter-se dominante no exercício político, só agrava as desigualdades
sociais. Ou seja o contrário desse socialismo, de que se envergonham e por isso
se dizem preferencialmente «sociais-democratas».
As tais parvoíces de Ana Gomes
continuarão a merecer crédito nas televisões e nos jornais, por ser esse o
interesse de quem as detém como exclusiva propriedade. E, inchada nesse tal
egocentrismo, ela proferirá disparates como essa afirmação quanto a ser
inaceitável que António Costa continue a mandar no partido. Aí podemos replicar
com o óbvio Como disse?
Para Ana Gomes e os que, com ela,
continuam a fazer mais mal do que bem ao Partido, e à esquerda em geral, a
frustração de saberem o apoio que as sondagens atribuem a António Costa leva-os
a exagerarem nos despautérios.
No título deste texto alterei
numa palavra o título de um célebre romance de Marguerite Duras: Destruir, diz
ela. Nesta altura não se perspetiva que seja outra a intenção de Ana Gomes
relativamente ao Partido a que diz ainda pertencer...
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados

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