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sábado, 4 de maio de 2019

Nem Mais.


Rui Rio só tem uma saída honrosa: demitir-se. Nem que seja naquela base do 'agarrem-me... senão demito-me'.
Que outra coisa pode um corno manso fazer?
Ou não é corno manso, é apenas um invertebrado descerebrado?
Ou nem isso? Um simples banana? E vai ficar a levar tareia e a deixar-se humilhar...?
Quanto à Cristas nada a fazer: nasceu mesmo para o exercício da palhaçada. Palhaçada chunga.
Vamos esperar pela cartada com que o omnisciente Marcelo vai salvar a honra do convento

No meio desta história ridícula há vários aspectos caricatos. Vários. E de um saco de disparates jamais pode sair uma coisa esperta. É que nada nesta história é coerente. Nada.
A luta dos professores em si pode parecer justa. Mas a seguir haverá a luta dos polícias que, quem achou que a dos professores é justa, não vai ter cara de dizer que a dos polícias é injusta. E a seguir virá a dos enfermeiros e aí, quem usou a palavra dignidade para falar da luta dos professores não vai ter cara para virar a cara aos enfermeiros e achar que não são dignos de solidariedade. E logo, logo, virão os pensionistas e dignidade maior não há que a deles -- e aí como não querer apoiar a luta deles? E a dos outros todos?

E a dos silenciosos? Os que trabalham metade (ou mais) do ano para pagar impostos e contribuições e que foram esbulhados de toda a forma e feitio, nomeadamente através de uma sobretaxa que durou para além do admissível e que ainda continuam a pagar mais impostos do que se fossem ladrões a cumprir pena? A esses, o BE e o PCP tratam a pontapé, vão envolvê-los em falsos epítotos e vão virar costas. O costume. Mas o PSD e o CDS? Vão continuar de braço dado com a esquerda -- e com o Mário Nogueira às cavalitas -- e também tratar a classe média a pontapé?
E quando o País estiver atolado em greves, em crises, em manifestações, em problemas orçamentais de toda a espécie e feitio, o que vão defender o BE, o PCP, o PSD e o CDS? Vão dar um tiro na cabeça e fugir para Espanha? Vão enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que não tiveram nada a ver com o assunto? Hipócritas uma vez, hipócritas para todo o sempre, certo...?

Mas se a esquerda fez o seu papel -- como dizem agora todos os comentadores --, avançando para esta marcha como uma desmiolada tropa fandanga, confiantes que o chumbo era certo pois o PSD e o CDS iriam manter-se coerentes com os seus programas e princípios e que saíriam da votação como perderdores-vencedores (os que tudo teriam feito para defender a luta dos professores mas que teriam sido derrotados pela infame direita), o que dizer destes dois partidecos de direita, partidecos da treta, PàFs sem vergonha, que, depois de terem quase levado o País ao tapete, vendendo empresas ao desbarato, depois de terem levado o país à pobreza e de terem corrido com os mais jovens, roubado rendimentos de todas as maneiras possíveis e imaginárias, agora viram o bico ao prego e levam em ombros o Jerónimo, a Catarina do BE e o sempiterno Nogueira? É isto compreensível por alguém com memória e dois dedos de testa?
Não perco tempo a falar da Cristas, essa que assinou de cruz o fim de um banco, essa que vive de 'mandar bocas', essa que aposta na peixeirada e que se está nas tintas para a coerència ou para a honestidade intelectual. Esqueçam a Cristas. Já era.

Concentro-me, antes, em Rui Rio. Sempre com semblante carregado, como se fosse um poço de virtudes sem paciência para aturar a plebe, como se apenas ele fosse bom de contas e todos os outros uns perdulários, Rui Rio deu o maior passo em falso da sua vida. Dificilmente dará alguma vez um maior. Abriu a gabardina e mostrou o palhaço que se esconde dentro dele. Uma vergonha. Uma vergonha para ele que, a esta hora, deve estar sem saber como sair desta. Aliás, qual corno manso, ainda deve estar a tentar perceber como se meteu nesta e, intrigado, a tentar adivinhar quem é que o traíu ou de quem é a culpa. Vergonha também para todos os correlegionários que não se revêem na linha galinha-rangélica. Vergonha para todos os que ainda sonham com a mirífica possibilidade de o PSD voltar um dia a ser um partido respeitável. Vergonha. Vergonha pura e dura. E fúria -- porque com coisas destas nunca mais haverá lugares para ninguém, nunca mais será sábado.
E, no meio disto tudo, Marcelo?
Marcelo, o jogador, o fazedor de cenários, Marcelo, o omnipresente comentador, Marcelo, o efervescente, Marcelo, o que detesta águas paradas, Marcelo, o que adora o protagonismo, Marcelo que mostrou que a caixa de Pandora podia ser destapada, Marcelo que devolveu a caixinha mal fechada com uma piscadela e um post-it a dizer 'não querem ser criativos? não querem abrir a caixinha a ver o que sai de lá?' -- o que vai ele fazer?
Pois bem. Marcelo vai querer sair bem desta ópera bufa da qual nem ele nem os quatro da vida airada, os mesmos que voltaram a ir para a cama num bacanal inconsequente e ridículo, sairão bem.

Mas com o Jerónimo, a Catarina do BE e a Cristas não se peocupa ele muito, sabe que saberão inventar desculpas ou que são cartas a caminho de ficarem fora do baralho. Agora o pobre do Rio? Esse pé que não sabe dançar nem sair da pista...? A esse há que dar uma ajuda senão afogar-se-á porque já provou à saciedade que não sabe nadar. Por isso, imagino que a esta hora Marcelo estará a ver como safar o Rio da barracada em que o PSD se envolveu, limpando ao mesmo tempo a barra do PSD e a dele, o totó de serviço que se viu ultrapassado pela força da estapafúrdia maré rangélica e daquela bancada que não tem eira nem beira. O óbvio seria convencê-lo a desandar. Mas claro que nesta altura do campeonato, com as eleições à porta, líder que se preze não pode demitir-se. Claro que Rui Rio é manga de alpaca, não é líder coisa nenhuma, quanto mais líder que se preze. Portanto, a bem da verdade, mais Rio, menos Rio, o PSD é um desastre e aguenta-se não pelo Rio mas pelas bases que não desandam enquanto alimentarem a esperança de voltarem aos seus postos de caciques e baronetes. Agora que seria mais uma barraquinha o Rio sair, lá isso seria.

Mas Marcelo é um mestre, um encenador de primeira. E, no meio de todo o frisson, penso que genuinamente gosta do País. Pode volta e meia deixar-se entusiasmar pelos enredos e dar uns passos duvidosos mas, no fundo, no fundo, não quer ficar mal para a História e, portanto, tudo fará para que a credibilidade do País não se estatele e para que a porta para o populismo não fique escancarada. Ele que abriu a porta a esta cegada, ele a fechará. Saberá fazê-lo.
Mas ficarão feridas sérias desta macacada. Os quatro partidos que deram o braço para esta suruba chunga sairão molestados nas próximas eleições. Os portugueses não são burros, não gostam de ver pornografia de quinta categoria.

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PS: E não vale a pena dizerem, os quatro da vida airada mais os comentadores avençados, que o pré-anúncio de demissão do Governo é coisa do Costa para disfarçar que a campanha às europeias não estava a correr bem, Enganam-se. Enganam-se muito. Pedro Marques é um bom candidato, uma pessoa honesta, competente, humilde, trabalhadora, uma pessoa de bem. Toda a política fosse feita por pessoas como ele e o mundo seria um lugar bom para se viver. Enganam-se os comentadores e os políticos de meia tigela se acham que os portugueses preferem os palhaços, os penteadinhos de cabeça vazia ou os pintarolas. Enganam-se. Pedro Marques vai mostrar que o PS fez uma belíssima escolha.

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Quanto ao resto, thanks God it´s friday.

Do blogue Um Jeito Manso

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