Na
sexta-feira abordara aqui a sondagem da Aximage, e ainda não conhecia a que
viria depois a ser divulgada pela Eurosondagem, que lhe contrariava as
tendências. Razão para tomar acrescidas cautelas na leitura do que ilustram,
sobretudo quando as eleições se aproximam e elas prescindem da função de
intérpretes dos sentimentos dos consultados pelos respetivos universos de
inquiridos, e tornam-se veículos complementares de uma propaganda
judiciosamente arquitetada nos clandestinos gabinetes dos que almejam voltar a
ser «donos disto tudo».
Dizia o
poeta Aleixo que para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer
à mistura qualquer coisa de verdade. E assim procedem os que cumprem a missão,
atribuída pelos respetivos donos, de dificultarem, tanto quanto possível, a
anunciada vitória dos partidos afetos à maioria de esquerda.
Não são
inverosímeis as especulações, que possamos fazer, sobre as reuniões dos patrões
com os diretores e chefes de redação dos jornais, rádios e televisões, dando
tratos à cabeça para saberem como melhor poderão ter sucesso na criação de
nuvem de poeira tão densa, que parte substancial do eleitorado esqueça todos os
indicadores demonstrativos de quanto o país tem mudado para melhor e acredite
ingenuamente nos cenários distópicos, que lhe vão vendendo numa lógica
goebbeliana de transformar em aparente
verdade uma mentira milhentas vezes repetida.
Nas
próximas semanas os telejornais e os títulos da imprensa, a soldo desses
patrões privados, abundarão em temas requentados (a nomeação de familiares para
responsabilidades públicas, incêndios, caos nos hospitais, etc.), em lutas
corporativas fomentadas por sindicatos afetos ás direitas (enfermeiros) ou
delas continuando a servir de idiotas úteis (professores), com algumas fake
news à mistura, nestas se incluindo sondagens cujas fichas técnicas parecerão
cumprir os requisitos de credibilidade, mas distorcidas tanto quanto possível
para apresentarem resultados nos limites da sua (in)significância.
Será
necessário desenvolver intenso trabalho político, quer na rua, quer nas redes
sociais, para dar às direitas a derrota que merecem!
Publicada
por jorge rocha à(s) 14:03
Do blogue
Ventos Semeados

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