«Tenho
a certeza que Ronaldo, o Mourinho e outros, nunca mais vão cair nas mãos dos
conselheiros que os fizeram entrar nestes esquemas criminosos.»
«Sabemos
que o dirigente máximo do clube [Luís Filipe Vieira] está referenciado em
várias listas de grandes devedores do país por vários empréstimos não pagos. Há
todo um passado de delinquência ligado a essa pessoa.»
Ana
Gomes
É fácil
admirar Ana Gomes. Tem uma vida de apaixonada entrega ao serviço público, não
se duvidando da sua vocação para representar os cidadãos que votam, que pagam
impostos, que têm direitos. Está também associada directa e presencialmente a
um momento de orgulho pátrio, quando o País se uniu para acabar com os crimes
cometidos pela Indonésia sobre os timorenses. A sua coragem nesse processo, que
mais não fosse, chegaria para lhe dar um lugar na História de Portugal.
Depois
de abandonar a diplomacia, tem-se notabilizado pela carreira no Parlamento
Europeu, eleita pelo PS, e ainda pelas suas denúncias de casos de corrupção.
Aqui, não se coíbe de disparar para dentro do partido, sendo uma das vozes
socialistas que, sem precisar de estar à espera dos demoradíssimos e
chatíssimos trânsitos em julgado de eventuais condenações, publicamente
considera Sócrates e sus muchachos (bué deles, certamente) como um bando de
corruptos. Vê-la em televisiva sintonia com Carlos Abreu Amorim nessa matéria
foi para mim um espectáculo de que ainda não recuperei.
Ora,
aqui está ela de novo a perseguir criminosos. O que esta pessoa não faria à
frente de uma esquadra da PSP, ou mesmo da Judiciária por inteiro, podemos
imaginar a inaudita limpeza na gatunagem que de imediato aconteceria. Como se
lê acima, a nova perseguição ocorre no mundo do pontapé na bola e apresenta
esta curiosidade: acerca do Ronaldo e do Mourinho, Ana Gomes sabe que esses
dois meninos estão inocentes, tiveram foi o azar de “cair nas mãos dos
conselheiros” e depois não tiverem outro remédio senão “entrar nesses esquemas
criminosos” sob pressão dos esmagadores apêndices braçais; já quanto ao
presidente do Benfica, que não consta tenha sido alguma vez condenado por nada
de nada, Ana Gomes informa o povo de estarmos perante um mânfio que começou
cedo no gamanço disto e daquilo. Através de que investigações descobriu estas
coisas todas? Não explicou. Talvez por falta de tempo.
Apesar
de andar há tantos anos a denunciar corruptos, usufruindo de poderes especiais
para aceder a documentos e dados especiais, não me lembro de qualquer caso em
que devamos a Ana Gomes o mínimo contributo para levar um suspeito de crime à
Justiça. Vou repetir: sequer no plano em que se torne legítimo lançar a
suspeita sobre alguém, para posterior e adequadamente ser investigada pelas
autoridades competentes, não consigo nomear um singelo nome. E mesmo que esteja
enganado, não me enganarei ao declarar que gostava de ver Ana Gomes condenada
por difamação e calúnia devido aos danos causados ao Benfica e ao seu
presidente. Talvez só assim a senhora conseguisse admitir que não precisamos de
justiceiros, precisamos é de cidadãos que não abdiquem da sua soberania sobre a
Justiça – leia-se, cidadãos que preferem um criminoso à solta do que um
inocente preso ou sem direito ao bom nome.
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