Rádio Freamunde

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sábado, 23 de março de 2019

Arnaldo Guerra:

Foi uma personagem típica de Freamunde. Esta juventude não teve o prazer da sua convivência. Só pessoas como eu, outras, uns pares de anos mais novos, desfrutamos dessa convivência.
Era solteirão. Vivia com uma irmã. De trabalho não tinha nenhum emprego. Era cego de uma vista. O seu modo de vida era ir à mercearia do senhor Ramiro, era ali que a Auto Viação Pacense deixava as encomendas vindas do Porto, para serem distribuídas. Alguns iam ali buscá-las. Outros, como a Farmácia Barros, recebiam-nas através do encargo de Arnaldo Guerra. Este dedicava-se a essa tarefa mediante uma gorjeta.

Tinha outra ocupação. A de graxa. Fazia-o com tal esmero que os seus clientes não precisavam de andar com um pequeno espelho no bolso, era usual nesse tempo, para se arranjar quando iam namorar. Nos próprios sapatos podiam ver a sua imagem.
Fora isso andava de festa em festa. Com as suas brincadeiras para animar o povo através do pagamento de um “néguinho” ou copo de vinho.
Néguinho, era um pequeno copo, talvez um quarto de quartilho, que em certas tascas era usado. Lembro-me de ver clientes na loja do Venturinha a pedi-lo.
Assim, como me lembro de ver Arnaldo Guerra, nas festas da Vila de Freamunde e de Lousada, com as suas paródias, como disse, a entreter o povo. Sempre com o seu apurado assobio bocal, fiu, fiu e fiu.
São estas pessoas que com as suas peripécias levaram o Rodela e o Vitorino a dedicar-lhe algo como personagens de Freamunde.
Fiu, fiu, é o Arnaldo Guerra.
Vão chegar as encomendas,
Ainda o carro vem na serra,
Já ele espera pelas tendas.

Como "graxa" é boa pessoa,
Nunca lhe faltou carinhos,
Pois tinha sempre uma "croa"
Para oferecer uns "neguinhos".

Em qualquer tasca, se aberta,
Ele lá está pela certa,
Quem por certo não o viu?

Sentado na sua caixa,
Com a latita da graxa,
Sempre contente, fiu, fiu...

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