Sei de quem – hoje não está entre nós – há setenta anos, este dia, era
um dia especial. Conto para quem me lê saber do acontecido.
Há medida que os dias iam passando esse “quem” sentia a sua barriga
alterando. Alteração que não era derivada da gordura natural da sua barriga mas
sim das causas naturais da mulher e da vida. Não era da gordura por que nessa
altura a vida não dava aos mais humildes para engordar das “faustosas”
refeições que tomavam. Não! Naquele tempo era tudo à míngua. O que é certo é
que a barriga já há uns meses que não crescia. As dores aproximavam-se.
Não é que não houvesse experiência. Havia. Antes três anos tinha
passado pelo mesmo. E pelo tempo fora umas quantas vezes. É que naquela época a
função da mulher era doméstica e parideira. A mais humilde era educada para
essa função. Depois de casada. Que antes era criada de servir.
Também não havia outra forma de combater esta função. A tecnologia era
rara. De Telefonia, Audiovisual ou Comunicação Social estava Portugal carente.
O que ensinava o Mestre Escola era o ABC. A Educação Sexual era um tabu. Julgo
que os Mestres-escola também estavam carentes disso. Pois conheci muitos com
uma carrada de filhos. Também não era pelo Abono de Família. Nesse tempo não
existia.
Uma coisa é certa. Aproximava-se o dia de amanhã. Há que reter no
galinheiro a melhor galinha para ser cozinhada uma canja. Dizem os entendidos que
ajudava a que à parideira não lhe faltasse o leite materno. Portanto do dia
sabia-se. Da hora é que não. Mas dizem os antigos que nestes casos o que
importa é uma boa hora.
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