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domingo, 27 de janeiro de 2019

História com vida:


Sei de quem – hoje não está entre nós – há setenta anos, este dia, era um dia especial. Conto para quem me lê saber do acontecido.
Há medida que os dias iam passando esse “quem” sentia a sua barriga alterando. Alteração que não era derivada da gordura natural da sua barriga mas sim das causas naturais da mulher e da vida. Não era da gordura por que nessa altura a vida não dava aos mais humildes para engordar das “faustosas” refeições que tomavam. Não! Naquele tempo era tudo à míngua. O que é certo é que a barriga já há uns meses que não crescia. As dores aproximavam-se.
Não é que não houvesse experiência. Havia. Antes três anos tinha passado pelo mesmo. E pelo tempo fora umas quantas vezes. É que naquela época a função da mulher era doméstica e parideira. A mais humilde era educada para essa função. Depois de casada. Que antes era criada de servir.
Também não havia outra forma de combater esta função. A tecnologia era rara. De Telefonia, Audiovisual ou Comunicação Social estava Portugal carente. O que ensinava o Mestre Escola era o ABC. A Educação Sexual era um tabu. Julgo que os Mestres-escola também estavam carentes disso. Pois conheci muitos com uma carrada de filhos. Também não era pelo Abono de Família. Nesse tempo não existia.    
Uma coisa é certa. Aproximava-se o dia de amanhã. Há que reter no galinheiro a melhor galinha para ser cozinhada uma canja. Dizem os entendidos que ajudava a que à parideira não lhe faltasse o leite materno. Portanto do dia sabia-se. Da hora é que não. Mas dizem os antigos que nestes casos o que importa é uma boa hora.  

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