A requalificação do centro urbano de Freamunde, tem sido objecto de algumas vozes de contestação, umas pelo atraso das obras, outras pelo abate das árvores e elevado prejuízo do comércio local, outras tantas, pelo simples acto de oposição politica. É compreensível, legítimo e respeitável a preocupação e a diferente opinião das pessoas, ao verem a sua cidade em transformação.
Teria sido uma medida ajustada, a análise, discussão e avaliação sobre o centro urbano e sua centralidade. Não querendo ser injusto, parece-me que a centralidade de Freamunde foi ignorada, nas opções constantes no projecto.
Pela transformação, sentido de oportunidade e visão de futuro, a requalificação de um centro urbano, nunca poderá basear-se numa decisão isolada, carente de avaliação, conhecimento e de consenso, limitando-se ao aspecto físico visual, á troca de alcatrão por pedra azul ou amarela, construção de canteiros e relvados, um traçado mais recto ou inclinado, a replantação de árvores de feira ou jardim. Teremos que ir mais além, condenar este conceito redutor.
Para que ocorra desenvolvimento e urbanização, torna-se necessário que exista um centro de influência e consequente centralidade nesse espaço. Não devemos agir em sentido contrário.
Numa das fases de execução deste projecto, irá ser demolido o edifício que incorpora a junta de freguesia e o café das sebastianas, parte constituinte da centralidade desta cidade. O município irá gastar três centenas de milhar de euros e irá destruir um imóvel de duas centenas de milhar.
Com vontade política, arte e engenho, arranjar-se-ia com toda a certeza, uma solução para além da demolição, onde todos ficariam a ganhar.
A humanização do centro urbano, é uma das prioridades de qualquer cidade. Neste projecto, uma vez mais estamos em contracorrente, iremos criar barreiras físicas, limitar o espaço nobre.
Sentado num ensolarado banco de jardim, a contar viaturas á esquerda ou direita, a subirem ou a descerem a rua, é a imagem que ficará para os próximos 10 ou talvez 20 anos. Pouco mais restará, para além da alternativa de tornar este espaço requalificado, num parque de tendas diversas, em prol de uma centralidade inexistente, e um povo resignado, que viu fugir a oportunidade de lutar por muito mais.
Se erramos no passado, não devemos cometer os mesmos erros no presente e futuro.
Lembrar, evocar, preservar a vivência e memória de uma cidade, como identidade e património, no mínimo, trata-se de uma questão de cidadania e de direito.
É difícil agradar a Gregos e Troianos, mas já agora que estamos no ano municipal do ambiente e cidadania será de reflectir o que se anda a fazer, para que no fim, o esforço municipal não caia em saco roto e os Freamundenses a perder.
Artigo de António José Fernandez
Edição Gazeta 24/01/2019
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