quarta-feira, 18 de abril de 2018

Nota à comunicação social:

Ainda não se tinha visto tudo. Ontem a SIC emitiu uma reportagem com as gravações dos interrogatórios judiciais ao Sr. Engenheiro José Sócrates. Esta reportagem representa o culminar de uma longa parceria e cumplicidade entre a estação de televisão e as autoridades a quem o processo está entregue. Para sermos mais concretos, entre a SIC, o procurador e o juiz de instrução, a quem a estação tem traçado os mais elogiosos perfis.
O espetáculo é singular e chocante. Ele significa uma progressiva e assustadora tabloidização da nossa justiça. No essencial, está agora claro que vale tudo: qualquer cidadão ficou a saber que as filmagens dos interrogatórios que o Ministério Público promove estão no mercado. Eles aparecerão nos telejornais em função do interesse comercial, das audiências. A dignidade da justiça, com o incompreensível silêncio institucional, está assim finalmente subjugada ao interesse venal do espetáculo: utilizaremos tudo o que nos permitir ganhar dinheiro.
Todavia, o resultado não foi o que esperavam – o tiro saiu pela culatra. Os interrogatórios vêm demostrar aquilo que temos repetidamente afirmado: a acusação não tem qualquer fundamento em factos e muito menos em provas. Chega a ser confrangedora a incapacidade dos procuradores em sustentar o que levianamente afirmam. Na verdade, os interrogatórios só confirmam a vacuidade da acusação.
Ao denunciar e condenar publicamente o que aconteceu, a defesa do Sr. Engenheiro José Sócrates cumpre o seu dever social e profissional. Mas iremos além: não deixaremos também de agir judicialmente em defesa dos nossos direitos que são, afinal, os direitos que o Estado deveria garantir a todos os cidadãos portugueses.
Lisboa, 17 de abril de 2018
O advogado
Do jornal (Tornado)

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