quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Será sempre a Presidente:

Conheci Armanda Fernandez mais a fundo nas eleições autárquicas de dois mil e treze. Logo vi e nutri por ela um sentimento de carinho. O que não é difícil dada a sua simpatia. Conheci seu pai e por ele tinha carinho e respeito. À medida que ia conhecendo Armanda via nas suas atitudes as mesmas que as de seu pai. Até dizia para mim e desculpem o exemplo de um provérbio muito usado no norte do País: “foi gerada e cagada”.
Assim nasceu entre mim e ela um sentimento quase paternal e filial. Dentro da minha modesta experiência contribuía com a minha ajuda. Ajuda essa que era mais de aconselhamento. Não porque me sentisse um conselheiro exímio. Não! Ao pé dela, como se usa dizer, não passo de um analfabeto. Mas a minha experiência de vida dava-me motivos para a aconselhar. Penso eu. E via nela que absorvia muitos.
Algumas vezes dizia! - Sinto-me cansada. São problemas atrás de problemas. Dizia-lhe: - quem não quer ser lobo não lhe veste a pele! Respondia-me: - nunca pensei encontrar a Junta de Freguesia num estado tão deplorável. Há falta de tudo. Já não bastava o problema que tinha com o Centro Infanto Juvenil António Freire Gomes que ainda me meti nesta alhada. Para mim só sobra problemas. Mas vou levar a água ao meu moinho como estou a levar o Centro.
Com a sua tenacidade lá conseguiu os meios mais prementes para resolver a situação de Freamunde. Conseguiu dois funcionários a tempo inteiro para a limpeza e arranjo das bermas e, alguns consertos necessários. Outros dois cedidos pela Câmara Municipal a tempo inteiro para o arranjo e conservação dos jardins de Freamunde. Pôs a Junta de Freguesia a laborar a tempo inteiro. Com esta medida resolveu um sem número de problemas que só eram resolvidos depois das dezoito horas. O Espaço Cidadão que colmatou com uma série de serviços que só eram resolvidos em Paços de Ferreira. Adquiriu uma carrinha de três mil e quinhentos quilos para o transporte do lixo e outros afins.
Depois destes conseguimentos já se notava nela uma certa satisfação. Embora isto fosse uma gota no oceano chamado Freamunde. Disse-me: - Vou lutar por mais benesses para Freamunde. Conseguiu que os impostos que os feirantes pagam para expor os seus artigos nas feiras quinzenais – chamado Terrado – fossem para a Junta de Freguesia. Demorou mas conseguiu.
Só que esta luta começou a ter entraves em Paços de Ferreira. Quem lhe devia dar apoio começou a retirá-lo. Sentiram que Armanda estava a progredir depressa. E quando assim é o sucesso começa a produzir efeito e traz ofuscação a outros. Faz lembrar a história da cobra e do pirilampo que passo a narrar:
“Certo dia uma cobra começou a perseguir com insistência um pirilampo. O pirilampo apercebeu-se e começou a fugir com medo da cobra. Passaram-se dias e a força do pirilampo, para fugir da cobra, começou a diminuir. Um dia, confuso e cansado, sem perceber aquela insistência, parou de fugir e enfrentou a cobra, perguntando: - Deixas-me fazer-te 3 perguntas, por favor? A cobra com ar intrigado respondeu: - Podes, mas olha que não costumo aceder a estes pedidos, mas já que te vou comer de qualquer forma despacha-te e pergunta. O pirilampo avançou determinado e perguntou: - Pertenço à tua cadeia alimentar? - Não - disse a cobra - Fiz-te algum mal? - Não - disse a cobra. - Então porque é que me queres comer? – Perguntou o pirilampo. - Porque não suporto ver-te brilhar!”
Até aqui em Freamunde Armanda sentiu o mesmo que o pirilampo. Então resolveu avisar o PS Concelhio que não se recandidatava a novo mandato. Foi em Janeiro de dois mil e dezasseis. Sentia que estava a ser uma figura decorativa. Disse-lhe que fazia mal. Devia de concorrer a mais um mandato. Que foi difícil ganhar a Junta de Freguesia e assim estava a dar “ouro ao bandido”. Disse-me que precisava e gostava de “luta”. Foi-lhe garantido o quinto lugar na lista para a Presidência da Câmara nas eleições autárquicas deste ano. Há última hora falharam-lhe.
Nem tão pouco um lugar na lista para a Assembleia Municipal. Até o seu marido que fazia parte da Assembleia Municipal não foi convidado para integrar a lista de dois mil e dezassete. Nunca esperou tal “sacaníce”.
Estes procedimentos foram a paga por quem lutou e deu tudo por Freamunde. Desbravou um “mar revoltado” que aqui em Freamunde se chamava PSD. Com anos e anos de supremacia em Freamunde. Foi a primeira mulher do concelho a tornar-se Presidente de Junta.
Pôs a Junta de Freguesia em ordem. Não lhe foi reconhecido o mérito. Até disseram que o que melhor fez em Freamunde foi na Associação dos Socorros Mútuos de Freamunde. Eu julgava que se estavam a referir às obras que ali foram executadas. Depois li na Tribuna Pacense que tinha ganho a questão que já vinha de dois mil e onze quando demitiu a Directora do Centro por má gestão e teve de indemnizá-la em trinta mil euros. Achou injusto.
Recorreu para tudo o que era sítio. Sofreu ameaças mas mesmo assim não desistiu. Por fim o Ministério Público deu-lhe razão e condenou a ex-directora em trinta e um mil euros de indemnização ao Centro.
É gente desta que Freamunde e a Câmara Municipal precisavam. Mas não. Em lugar disso escolhem-se os “amigos”.

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