terça-feira, 6 de junho de 2017

Ronaldo, um fabuloso exemplo:

nicolau
De menino pobre nascido na ilha da Madeira a melhor futebolista do mundo, a história de Cristiano Ronaldo prova que se pode fintar o destino e que podemos ser muito mais do aquilo que julgamos possível.
Pegar nos êxitos de um rapaz que ganha a vida a dar chutos numa bola para fazer comparações com a sociedade portuguesa é seguramente, para muitos, um sacrilégio. E no entanto, Cristiano Ronaldo tinha tudo para reproduzir ao longo da vida o ciclo da pobreza da família em que nasceu e que é a história de mais de dois milhões de portugueses, com pouca ou nenhuma educação escolar, sem especialização, condenados a trabalhar como mão-de-obra desqualificada e mal paga ao longo de todo o seu período ativo, sem qualquer hipótese de sair desse quadro de deserdados do progresso e sem qualquer esperança num futuro melhor.
Cristiano Ronaldo chegou onde chegou porque está sempre altamente focado no seu ofício, porque é um trabalhador incansável, porque tenta melhorar e aperfeiçoar-se todos os dias, porque não só não desiste perante as adversidades como se fortalece com os obstáculos que se lhe atravessam no caminho, porque quer obsessivamente ser o melhor e provar a todo o mundo, de forma incontestável, que é o melhor.
Mutatis mutandis, se os portugueses tivessem um empenho diário no seu trabalho tão próximo daquele que Cristiano Ronaldo tem; se se preocupassem em melhorar continuamente as suas qualificações profissionais e o seu desempenho laboral; se nunca, mas nunca admitissem a ideia que são menos ou piores que os profissionais de outros países; e se apostassem em mostrar que conseguem fazer mais, melhor e diferente do que outros, seguramente que teríamos uma sociedade com muito maior autoestima e uma economia com muito maior produtividade.
É que se há coisa que Cristiano Ronaldo não tem é falta de autoestima; e se há coisa que também não tem é um sentimento de inferioridade perante os seus pares – e note-se que ele compete com os melhores dos melhores de todo o mundo. Ainda agora, na final da Champions, tinha na baliza da Juventus um guarda-redes que é um mito, uma lenda e que poucos conseguem bater, porque só o seu nome chega para assustar quem o tenta bater. Pois Cristiano Ronaldo não se impressionou nem um pouco e marcou-lhe dois golos, qualquer deles de difícil execução. A sua velocidade e rapidez de decisão foram claramente superiores às de Buffon.
Ao longo da sua carreira, Cristiano Ronaldo tem sido alvo de injustiças, de críticas sem sentido, de provocações, de armadilhas. A cada adversidade respondeu sempre com mais empenho no trabalho, maior procura do perfeccionismo, maior sede de conquistas. Reagiu, lutou e provou que, goste-se ou não dele, é um vencedor, um campeão, um português como todos nós mas com qualidades excecionais que não tinha à partida mas que aperfeiçoou, de forma persistente, ao longo da sua vida. Cristiano Ronaldo passou sempre a imagem que não queria ser mais um entre tantos. Queria ser “o” melhor, o primus inter pares, o topo do mundo na sua especialidade. Conseguiu-o indiscutivelmente.
Uma última nota com que alguns não concordarão, mas as dúvidas estão completamente dissipadas: Cristiano Ronaldo é o melhor futebolista português de todos os tempos. E não é uma questão clubística. É estatística pura e dura. Números, números e mais números. Recordes, recordes e mais recordes.
Pulveriza-os com regularidade e faz disso o objetivo de que se alimenta. Cristiano Ronaldo é o melhor de sempre no futebol indígena. E a nível internacional só Messi tem condições para se bater com ele. Perante tudo isto, como é que ainda se pode duvidar do seu fabuloso talento e das suas extraordinárias capacidades?

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(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 05/06/2017)

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