segunda-feira, 29 de maio de 2017

Onde faço voto de contrição perante tanta clarividência de Passos Coelho.

Pedro Passos Coelho que me desculpe, por afinal ter lavrado em erro a respeito do seu mérito em ter ajudado o país a sair do Procedimento por Défice Excessivo. Quis tanto dar os parabéns a António Costa, a Mário Centeno e a toda a maioria parlamentar, que perdi de vista o contributo  - modesto, mas prenhe de significado - que o anterior primeiro-ministro protagonizou.
A evidência veio nos jornais desta manhã: as remessas dos emigrantes para Portugal atingiram máximos históricos dos últimos quinze anos. Quer isto dizer que Passos Coelho tinha razão, na sua perspetiva de liderar o país: ao incentivar os desempregados, e  sobretudo os jovens a emigrarem, já antevia este boom de dinheiro a fluir de outras latitudes para o nosso cantinho à beira-mar plantado. Mais: se continuasse a ser Governo e mantivesse a mesma política dinâmica de enviar os compatriotas para outras latitudes, poderia até chegar mais longe. Imagine-se que cinco milhões saíam de cá e só ficavam outros tantos a viverem do que os familiares lhes mandassem. Passos poderia levar os cortes nas pensões dos reformados até aos cem por cento, reduzindo drasticamente os custos do Estado. Com uns impostos agravados nesses muitos euros importados era vê-lo a bater records no saldo primário entre as receitas e as despesas.
Temos de reconhecer que somos uns meninos comparados com a sua clarividência. Schauble ficaria todo contente porque a sua querida austeridade demonstraria ter resultados inequívocos, poupando-se aos enxovalhos que a presente sucessão de bons indicadores económicos, financeiros e sociais do pais lhe estão intimamente a causar. E Maria Luís Albuquerque, esse poço de sabedoria, até poderia aspirar ao Nobel da Economia por ter conseguido resultados fantásticos pelos menos ortodoxos dos meios ao seu alcance.
Nós, os simpatizantes das esquerdas é que andamos sem perceber que a TINA faria todo o sentido ao contrário do que julgamos mais do que demonstrado. Somos tão míopes no nosso fanatismo esquerdista, que nos escusamos a ver aquilo que para qualquer deputado das direitas é mais do que axiomático...
Segunda-feira, 29 de Maio de 2017
Do blogue (Ventos Semeados)

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