quinta-feira, 18 de maio de 2017

Meia culpa?

Para quem não saiba este título foi título durante meses e meses nas capas de jornais e nos canais televisivos. Estávamos no mês de Abril de mil novecentos e noventa e sete. Um grupo de jovens aliciados por Artur a mando de José Queirós, dono da Bar de Alterne Diamante Negro, de nomes César, Filipe e Ricardo, havia outro mas não me lembre o nome. Estes jovens cometeram um crime hediondo.

Pelo que me contou Filipe nunca pensaram no que se iam meter. Acredito. A intenção era pegar fogo ao Meia Culpa e desaparecerem. 

No tempo em que se encontraram presos no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira o seu comportamento sempre foi impecável. Desde que a Polícia Judiciária para ali os levou, próximo da Páscoa de mil novecentos e noventa e sete, não nos deram muito trabalho.

 Quando ali chegaram e soubemos que eram indiciados pelo crime do Bar de Alterne Meia Culpa julgávamos que eram uns seres sem escrúpulos.

Deram entrada como disse no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, no Pavilhão de Observação, pavilhão esse para isolar presos mais problemáticos. Ali passaram uns meses. Com o passar do tempo e mediante o seu comportamento passaram para o sector prisional comum à maioria dos reclusos.

Fiz custódia aquando do julgamento deles no Tribunal de Penafiel que levou meses e quase diário. Era um monte de mirones que para ali se deslocavam para tomarem conhecimento o que nos obrigava a uma apertada vigilância para não sermos surpreendidos por qualquer anomalia tanto para a integridade física dos reclusos como para evitar qualquer evasão por parte dos reclusos. É evidente que nada disso aconteceu.

Tanto no trajecto, Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, Tribunal de Penafiel e lá no tribunal, as coisas decorreram com estava previamente estabelecido.

Já tinha estado noutro famoso julgamento, Malha Branca, no Tribunal de Famalicão, mas que se realizou no Salão dos Bombeiros Voluntários de Famalicão, pelo motivo de serem umas dezenas de arguidos e também tudo correu bem.

Como venho dizendo, no caso do Meia Culpa, os arguidos Queirós, César, Filipe e Ricardo sempre tiveram um bom comportamento. Tiveram penas bastante pesadas. Também o crime a isso comportava.

Mas devido ao tal bom comportamento acabaram por beneficiar, quando alcançaram tempo suficiente de pena, da flexibilização das penas. Quando faltava um quarto da pena beneficiaram da Liberdade Condicional.

Tanto o César, como o Filipe e o Ricardo aproveitaram para nesse tempo realizarem os seus estudos nas salas de aulas que existe nos Estabelecimentos Prisionais. O César chegou a tirar o curso de advocacia, julgo eu, e Filipe mais tarde acabou por ser transferido para o Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo para ali beneficiar do Regime Aberto Voltado para o Exterior uma vez que o seu trabalho era nas proximidades daquele Estabelecimento Prisional.

O crime praticado por eles foi hediondo como disse acima mas quem os conheceu reparou que foram uns pobres jovens que quando o praticaram nunca pensaram que ia tomar aquelas proporções. Coisas de jovens e amadores.

O respeito por eles todos leva-me a escrever estas linhas. Não para os ilibar mas para dar a conhecer o infortúnio em que eles se meteram por uns míseros contos de reis.

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