quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

O último dia dos sessenta e seis anos de vida:

Era o findar dos sessenta e seis anos. Geraldo estava triste. Não era como quando era jovem que ansiava pela vinda do seu aniversário. Sabia que pelo menos tinha uma malga de café com um trigo de ovelhinha à sua espera. A alegria era dobrada porque assim fazia inveja às suas duas irmãs. Mas quando vinham os anos delas sabia que ia lamber as beichas porque elas lhe iam retribuir da mesma maneira.

Coisas de criança e das necessidades sentidas da altura. Hoje, sempre que faz anos nem quer que lhe lembrem. Sabe que cada vez caminha para o final da vida. E é como se diz: "quem de novo não vai de velho não escapa".

Os filhos lá vem com a lembrança do aniversário e uma pequena prenda porque a vida está cara. Mesmo assim andou sem dizer nada sobre o seu aniversário. Mas os filhos não o esquecem.

Lá vai Geraldo ter de suportar a cantaria dos parabéns a você. Do jantar melhorado e do bolo de aniversário não se faz esquisito.

Mas tinha outro valor a malga de café com o trigo de ovelhinha. É que a necessidade sentida da altura levava a darmos mais valor a estas pequenas coisas.

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