quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Não lhe deram o devido valor:

Agora choram lágrimas de crocodilo. Mas não vale a pena. Desconsideraram-no. Mas se fossem mais perspicazes sabiam o valor que possuía como negociador. Já o tinha sido na Câmara Municipal de Lisboa. A coligação PAF nunca pensou que em tão pouco tempo António Costa conseguia unir o que estava desunido há mais de quarenta anos.
Dava jeito à coligação ter os partidos à esquerda do PS desunidos com este. Agora dizem que não são democráticos. Se não o são que os torne marginais. Mas isso não lhes convém. É que eles a concorreram, dividem a esquerda e os votos que militantes e simpatizantes lhes dão iam para o PS. Mas António Costa como perspicaz que é viu logo o logro que o PS estava a cair.
Assim, ao contrário do seu antecessor partiu logo para uma negociação com BE, PCP e PEV. E não demorou muito a ter esse acordo. Bastou um mês e pico. Coisa que António José Seguro não tinha capacidade para tal. Parecia um Passos Coelho em segunda edição.
Passos Coelho também não deu um passo para arranjar um entendimento com o PS. Ou seja, logo no primeiro encontro entrou em litígio com o PS. Imperava a sobranceria. Julgavam-se donos disto tudo. Só que António Costa é antes quebrar do que torcer e trocou-lhe as voltas.
Agora dizem que foram eles que ganharam as eleições e é a eles que devem dar o governo. Mas isso era se as eleições legislativas fossem para eleger um primeiro-ministro. Mas não são. São para eleger deputados. Se fossem para eleger um primeiro-ministro não se chamavam legislativas mas sim governativas. Por isso não falta entre as hostes da coligação PAF e seus simpatizantes a reclamar que o primeiro-ministro de Portugal deve ser Passos Coelho.
Como disse coisa mais errada. Embora o presidente da república nomeasse Passos Coelho como primeiro-ministro e até deu posse a um governo da coligação PAF. Mas a Assembleia da República como autónoma que é desfez o que o presidente da república fez. Dizem que é tradição. Mas tradição não é uma lei. Nem a Constituição da República Portuguesa.
É que se fossemos a ter em consideração as tradições então tinham de ter em conta que era e é tradição o subsídios de férias e décimo terceiro mês. Mas tiraram-nos. Se não fosse o Tribunal Constitucional ainda estávamos sem eles. Também era tradição o cinco de Outubro, primeiro de Dezembro, Corpo de Deus e Dia de Todos os Santos serem feriados e há algum tempo que os tiraram do calendário. Ou será que a tradição só vale para o que lhes interessa!
Por isso agora choram lágrimas de crocodilo. Tornaram-se arrogantes e provocadores. Nunca se viu tal na Assembleia da República por parte da coligação PAF. Depois dizem que é a coligação de esquerda que quer o poder! O poder não quer a coligação PAF perder? Parece que querem esconder algo. De certeza que se o presidente da república der posse à coligação de esquerda muita coisa se vai saber.

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