Ou melhor, ainda há hoje a passagem de testemunho. Este evento tonou-se
numa noitada que algumas terras não se importavam que a sua principal noitada
fosse igual. Com isto quero dizer que as festas Sebastianas, quer a festa
diurna ou nocturna, se tornaram num acontecimento regional ou até vou um pouco
mais longe, nacional. Em tempos festa que só tinha o seu início de sábado a
segunda-feira. A terça-feira era para a tal passagem de testemunho. Um jantar
com a comissão que acabou funções, organizado por estes e os que iam
assumir as festas do ano seguinte. Acontece que a partir daquele momento
começavam os seus trabalhos. É o que falta realizar hoje.
Nesta hora em que escrevo este texto antevejo uma noitada de arromba,
aliás, como é nosso apanágio. Mas falemos de como decorreram os vários dias. A
quatro de Julho, sexta-feira, houve a noite de bombos, esta consiste num jantar
em que cada comissão que já fez as festas Sebastianas, organizam e
confraternizam, porque há colegas que só se vêem nesta ocasião. Depois a
maioria alugam bombos, outros compraram-nos para o efeito e, andam em grupos a
percorrerem o arraial da festa. Esta noitada atrai milhares e milhares de
visitantes a Freamunde.
No sábado depois de vários eventos actuou a fadista Ana Moura que
cantou e encantou quem a ouviu. Alguns meus amigos disseram-me que não se
tratou de um programa de fados mas que parecia de rock dado a participação de
quase todos os que assistiam. Freamunde é assim.
O domingo chegou e trouxe-nos a entrada da Banda Musical de Freamunde e
a missa festiva em honra ao Mártir S. Sebastião. De tarde deu entrada a Banda
Marcial de Fermentelos que abrilhantou o concerto vespertino. Chegou o momento
mais ansioso no que toca à festa religiosa. E o caso não era para menos. A
grandiosidade da sua procissão é enorme. Além disso dá prazer ver a maneira
como é elaborada. Tudo ao pormenor. Quer o tapete por todo o local por onde
passa a procissão o que acarreta muito trabalho e suor em quem se prontifica a
colaborar. O asseio dos andores e a forma como vão vestidos os participantes.
E, aqui não me refiro aos das confrarias. Refiro-me sim às pessoas que
acarretam os andores. De camisa branca, os homens, as mulheres de blusa também
branca. Não há mangas “caviadas”. Digo que vale a pena assistir. E, não é por
ouvir os comentários produzidos à minha beira de pessoas de fora de Freamunde.
Ficam maravilhados e dizem que se Deus lhes derem vida e saúde e se as festas
tiverem continuidade no próximo ano cá estão novamente. Não digo nada. Mas falo
para os meus botões. Podem ter a certeza se não houver nenhum terramoto o
Mártir S. Sebastião voltará a percorrer as principais ruas de Freamunde. É que
fomos educados e ensinados para dar sempre continuidade ao que os nossos
antepassados nos legaram e não para acabar com eles.
Chegou a noite. Depois de um bom repasto os Freamundenses e seus
visitantes preparam-se para a noitada de domingo. O ouvir o “combate” que vai
ser travado entre as duas bandas sem antes deixar de visitar a Igreja Matriz
com os seus andores perfilados. E digo! Valeu a pena a sua visita. Ali via-se
organização. Andores e altares estavam fenomenais. As flores eram das mais
bonitas que havia. Nacionais e exóticas. Logo que se entrava na igreja parecia
a entrada no Céu, segundo dizem, dado o cheiro que se sentia e os acordes da
música de fundo. É como digo. Fenomenal. Bem-haja os escuteiros.
Ao “combate” das bandas não falta assistência a ouvir o seu reportório
e os jovens, principalmente os de Freamunde, estão a aderir. E o tempo foi bem
empregue. Os maestros optaram por um reportório do agrado do povo. E… fizeram
bem. É que assim o público colabora mais. A trautear as peças e o bater de
palmas dava mais “colorido” ao espectáculo. No final de cada peça as suas
palmas davam mostras disso. Até que chegou o seu fim com a exibição das
rapsódias. Antes a direcção da Banda de Fermentelos ofereceu à de Freamunde uma
lembrança. Não sei se é tradição mas fica bem o gesto. Também o seu maestro com
a sua jovialidade deu mais encanto à actuação da Banda Fermentelos. Julgo que
público e músicos saíram satisfeitos. É que em Freamunde sabemos reconhecer
estes atributos.
Não demorou muito deu-se início ao fogo preso e ao concerto dos Buraka
Som Sistema e dizem que foi um êxito estrondoso. Não assisti. A minha carcaça
já não é o que era. Por isso o aconchego do lar a preparar-me para a noitada de
segunda-feira. É que esta é muito longa. E… foi de que maneira.
A marcha alegórica até cumpriu o horário. Só que é enorme e o seu
itinerário já se torna pequeno. Depois há coisas que falham. Na rua de S.
Sebastião, em frente aos cafés do Malheiro e Mota, a espera para que
reiniciasse novamente a sua marcha foi enorme. Notava-se uma certa anarquia. A
juventude só pensava no seu prazer. Não via que estava a atrasar a realização
de outros eventos. Não digo que não haja folia. Festa é sinónimo de alegria.
Mas tudo tem um termo. Depois não se admirem que o fogo preso e vacas do fogo
sejam votados de dia. É que as noites nos meses de Verão não têm doze horas. E…
era preciso que tivessem o triplo.
Assim alerto para os festeiros da Comissão das Sebastianas de dois mil
e quinze tenham atenção a este problema. Não é só querer atrancar o céu com as
pernas. Tem de se pensar no que pode advir. Não julguem esta crítica mordaz mas
sim construtiva.
Assim não admira que no dia de hoje, digo hoje, porque há ainda a esta hora e, são quase dez da manhã, ainda há quem julgue que a noite não acabou. São jovens e mais jovens em que a bebida tomou conta deles e não sabem para onde se dirigir. Uns não sabem da sua viatura. Outros perderam os amigos de vista. Tentam se orientar. Aqui fazem-me lembrar as pombas correias, quando são soltas primeiro dão uma volta em círculo à procura de orientação. É o que acontece com muitos jovens. Perderam o “tino”. São assim as Sebastianas de Freamunde e podem crer que tudo fazemos para que sejam sempre assim.
Assim não admira que no dia de hoje, digo hoje, porque há ainda a esta hora e, são quase dez da manhã, ainda há quem julgue que a noite não acabou. São jovens e mais jovens em que a bebida tomou conta deles e não sabem para onde se dirigir. Uns não sabem da sua viatura. Outros perderam os amigos de vista. Tentam se orientar. Aqui fazem-me lembrar as pombas correias, quando são soltas primeiro dão uma volta em círculo à procura de orientação. É o que acontece com muitos jovens. Perderam o “tino”. São assim as Sebastianas de Freamunde e podem crer que tudo fazemos para que sejam sempre assim.
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