Contaram congressistas do CDS que, atravessando a região da Bairrada,
foram à Meta dos Leitões. Eram 15 e pagaram uma conta de 19, protestaram e
receberam, dizem, esta explicação do patrão: se são do Governo que nos rouba,
"então, para me defender eu também os roubo a vocês". Vou analisar
essa versão dos congressistas. Temos, então, que o povo sente-se metido no
espeto e assado, e considera que foi o Governo que os meteu nesta mealhada. Na
verdade, quem abusou da meta do défice não pode agora queixar-se do abuso do
Meta dos Leitões. Para 2013, estava acordado que a meta do défice orçamental
era de 4,5 por cento - mas vai passar os 5 por cento. Podem dizer, "são
décimas" - mas está errado. Por isto: metae (singular meta) eram os marcos
nos circos romanos que limitavam as pistas onde corriam as quadrigas. Não
podiam nunca ser ultrapassados! Mas, em vez das regras do significado das
palavras, os políticos habituaram-se às regras da Federação de Atletismo:
quando veem uma meta sentem-se obrigados a passá-la. No melhor dos casos, como
maratonistas, desfalecendo logo a seguir, "em décimas"; mas, tendo
eles dado o exemplo, o povo imita-os e ultrapassa-os, aumentando a conta do
leitão em 25 por cento. A metalinguagem do comerciante teria estragado o metabolismo
pacato que os congressistas esperavam ter no Meta dos Leitões. Em vez disso,
talvez tenham assistido a uma metáfora sobre a metamorfose dos comerciantes em
relação ao CDS.
Umas de maior importância que outras. Outrora assim acontecia. É por isso que gosto de as relatar para os mais novos saberem o que fizeram os seus antepassados. Conseguiram fazer de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).» Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o Tempo."
Rádio Freamunde
https://radiofreamunde.pt/
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