"Um dos programas mais famosos da televisão há alguns anos era a série
dos Marretas, e duas das personagens mais conhecidas eram os dois velhos que do
seu camarote atiravam "bocas" aos actores em palco criticando o seu
desempenho. Vem isto a propósito das nossas esquerdas parlamentares que, talvez
por alguns traumas e estigmas do passado pós 25 de Abril e do famoso PREC,
acabam a fazer um papel muito idêntico aos dos dois velhos marretas.
Criticam muito mas pouco fazem para mudar e
para criar alternativas que permitam imaginar que o amanhã será diferente
daquilo que temos hoje. No fundo acabam mesmo a servir o sistema pois são o
escape e a contestação que possibilita que se diga que vivemos numa democracia
quando afinal nada disto passa de uma ditadura de alterne. Ambos apostam em
criticar muito, discursos inflamados na Assembleia da Republica e em alguma
contestação nas ruas, com muitas bandeiras, bem comportada e com hora marcada
de início e fim, muitas vezes ao som do Hino Nacional. Hoje os professores, amanhã
os enfermeiros, depois a função pública, umas greves sectoriais, uma greve
geral por ano e um desfile no 25 de Abril. Nas eleições o apelo ao voto para
haver mais um ou outro deputado na Assembleia mas que em nada muda o sentido da
governação sempre a cargo do PS/PSD/CDS.
Parece-me que perante o descalabro a que chegou o país, perante a
destruição iminente do Estado social é preciso fazer mais, muito mais. Se
realmente os partidos de esquerda querem travar isto porque não abandonam a
Assembleia da Republica recusando-se a participar nesta fantochada desta falsa
democracia e se juntam aos cidadãos que exigem a mudança. Saiam de dentro daquele
antro de podridão e venham para a rua juntar-se a quem exige a mudança. Façam-no
e obriguem o PS a escolher de que lado da barricada quer estar. Se junto das
pessoas se junto dos gatunos.
A proposta é simples, abandono da Assembleia da Republica por parte de
todos os deputados que não querem pactuar com o que está a acontecer, criando
uma crise que derrube o governo impedindo a continuação do saque do país e dos
direitos dos portugueses. Aqui se separariam as águas e se veria quem está com
quem e quem defende o quê."

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