Obra escrita pelo escritor francês Victor Hugo, fala-nos da Batalha de
Waterloo (1815) e publicada em 3 de Abril de 1862 simultaneamente em Leipzig,
Bruxelas, Budapeste, Milão, Roterdão, Varsóvia, e Paris (nesta última cidade
foram vendidos 7 mil exemplares em 24 horas. Mais tarde adaptada ao cinema e em
mil novecentos e cinquenta e oito e sessenta e sete a telenovelas brasileiras. Neste
século readaptada ao cinema português com um naipe de artistas dignos desse
título.
Para se ser miserável não requer condição social por que cada uma está
voltada para essa função. Assim como ser-se rico ou pobre, culto ou inculto,
preto ou branco, amarelo ou vermelho, não isenta essa condição. Aliás, ser
presidente da república, primeiro-ministro, ministro, secretário de estado,
presidente de câmara municipal, presidente de junta ou vereador, está mais
próximo deste estatuto pela vulnerabilidade do cargo.
Os miseráveis não olham a meios para alcançar fins. Tudo o que vem à
rede é peixe. Geralmente intitula-se com boa moralidade e humanista enquanto
tenta caçar a presa. Depois de a ter na mão usa os mesmos métodos do abutre:
vai até à última gota de sangue. Está em exibição em várias salas de cinema portuguesas
e tem um rico cartaz que se publicita.
Não é aconselhável a desempregados, reformados ou aposentados, a quem
procura o primeiro emprego, pessoas que recebam o rendimento mínimo,
beneficiários do serviço nacional de saúde e outras actividades similares. Ali
só se vê actos de sabotagem entre os actores. Quem aguentar o filme até ao fim
é considerado um herói.
Em entrevista no final do filme foi perguntado o que acharam de melhor
ao que respondeu João Todo-Bom. – Nunca me passou pela cabeça existir assim
gente miserável. Até dou o tempo por bem empregue porque assim estou avisado
para este tipo de gente. Uma coisa é o que se diz na imprensa, outra é o que
vemos do que esta gente é capaz.
Aliás, para não dizerem que houve plágio o realizador português
intitulou-o de “Os Miseráveis de Portugal. As cenas têm um pouco de tudo. Desde
a Quinta da Coelha, Submarinos, Portucale, BPN e a sua venda, Tecnoforma,
privatização da TAP, etc. etc.
Prevê-se estar em exibição até meio do ano, altura em que os
personagens devem ser substituídos. Não por serem fracos actores mas por serem
miseráveis de mais.


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