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sábado, 5 de janeiro de 2013

Ontem valeu a pena:


A disposição é pouca para escrever. Se não fosse o respeito por quem me lê – poucos, mas bons! – de certeza que acabava com o blogue. É que a disposição está como o ano que entrou: triste e fraca. As notícias que nos são dadas cada vez são piores. Temos um primeiro-ministro e um ministro das finanças que sempre que abrem a boca parecem que estão a anunciar o nosso velório. Mas não imaginam a camada de portugueses que esperam ansiosamente pelo seu. Não me refiro ao físico! Por que seria bom de mais desaparecerem sem prestarem contas aos portugueses.
O que disseram dos seus antecessores em que deviam de responderem por crimes de lesa pátria vai-lhes acontecer o mesmo. Com uma agravante. É que estes tiveram a firme intenção de irem ao pote com o intuito de delapidar o País. Deles não vai haver alguém que lhes faça o elogio fúnebre como o que vi e ouvi ontem na Assembleia da República.
Mas, para se ser merecedor desses elogios tem que se ter virtudes. E, António Marques Júnior tinha-as de sobra. Muitas vezes aquela assembleia parece uma arena em que todos se digladiam sem se tirar proveito nenhum. Tantas medidas contra quem lhes deu o privilégio de ali votar faladura.
Como dizia, ontem valeu a pena, porque se distinguiu quem o merecia. Aquando da sua morte os meios de comunicação fizeram-no a medo. Tão poucas foram as notícias. Se fosse a casa dos segredos, uma notícia de José Castelo Branco ou de Renato Seabra não faltavam órgãos de comunicação social a relatarem o facto. Triste realidade. A merda neste país é que tem valor.
Quem contribuiu com a sua vida e seus ideais para que o País fosse libertado não merece notícias de primeira página. Sou frequentador diário do discurso directo na TVI24 e não vi Paula Magalhães e seus convidados a seguir ao falecimento de Marques Júnior fazer nenhuma referência. Que ingratidão!
Mas ontem os deputados da Assembleia da República tiveram a minha admiração. Não foram elogios que fizeram a Marques Júnior. Foi a realidade de uma pessoa de tão nobre estatura. É o que faz não se procurar vedetismo. O ser-se real é o mais nobre sentimento humano.
E, Marques Júnior tinha-o quanto bastasse.

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