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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mercados:


Conheço os da minha terra que se realizam nos dias treze e vinte e sete de cada mês, o da Feira do Cô, na freguesia de Penamaior, a cinco e vinte e um, não sei se ainda se realiza o de Paços de Ferreira a onze e vinte e nove. Quanto a mim é a estes que o governo, comunicação social, politólogos e economistas se referem, não conheço outros. 
Os que conheço, regra geral, são onde se vende produtos cultivados ou adquiridos pelo próprio vendedor. É a forma de rentabilizar meios para a sua subsistência através do seu esforço físico.
Antigamente, estes, tinham lugar nos cruzamentos dos caminhos e eram considerados como troca directa. Não existia dinheiro e fazia-se a troca através dos artigos que cada terra ou lugar produzia. 
As mercearias também passaram a trocar farinha por grão como modo de pagamento porque assim angariavam mais clientes, estes, agricultores, que não tinham forma de ganhar o vil metal que estava destinado ao operariado. Assim durante anos este tipo de mercado resistiu.
Mais tarde foi criado um lugar próprio onde as pessoas se reuniam, umas para comprar, outras para vender, através do dinheiro. Foi assim que se criaram os chamados mercados, há quem os trate por feira, mas o termo mais correcto é mercado pelo facto de ali se ir mercar e não feirar. Mercar igual a comprar.
De mercados de Títulos de Tesouro não percebo nada. Ouço falar que são os bancos que os compram para depois negociar com os seus clientes. 
Ainda temos presente o que se passou com vários bancos principalmente o BPN. Adquiriram vários artigos, como acções, quadros, moedas de colecção e outros mais que depois passou a lixo tóxico.
Aliás, li ontem e ontem, que a Standard & Poor’s (S&P) manteve o rating de Portugal em BB, segunda nota já considerada como "lixo", citando riscos da decisão do Tribunal Constitucional para o défice público e as baixas perspectivas de crescimento da economia. Sendo assim como pode alguém comprar dívida se o rating de Portugal é considerada lixo!
Depois vem a cereja em cima do bolo. Qual o banco escolhido para liderar esta operação por parte do governo? Não foi o grupo BESI! Liderado por José Maria Ricciardi, que está como arguido num processo que a Comissão de Mercados de Valores Mobiliários interpôs no Ministério Público, pela venda de acções da EDP. Cá estão as acções. Mas de boas está o inferno cheio. 
Por isso a minha confusão em compreender a satisfação do governo e mais órgãos pelo êxito alcançado. Ainda há dias estavam radiantes com o estudo feito pelo FMI e hoje sabe-se que tudo foi negociado entre governo e Carlos Mulas Granados - um dos co-autores desse estudo sobre Portugal -, depois de se comprovar que foi pago por trabalhos que assinou com um pseudónimo.
Por isso, para mim, só os mercados do dia treze e vinte e sete da minha terra é que têm valor. Ali vão pessoas mercar porque têm a certeza que ali se encontram produtos da sua confiança. Desde que me lembro ninguém foi intoxicado por ele. Porque ali não se vende lixo tóxico.
Se estamos a hipotecar a nossa soberania porque estamos contentes! Será que nos estamos a tornar em Miguéis de Vasconcelos? Espero que não.

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