O assunto tem sido tratado na Time, Forbes e CNN e levou Barack Obama a
fazer uma declaração, é certo que irónica: "Já pensei até em voltar
atrás." Foram também ouvidos grafólogos, porque a questão central é essa:
uma assinatura. Uma assinatura oficial nos EUA é tomada a sério. A Declaração
de Independência, 1776, foi assinada pelo presidente do Congresso, John
Hancock, e dá gosto ver: larga, sumptuosa, as duas iniciais firmes como pontes,
os nomes claros. Desde então, o termo assinatura tem nos EUA como sinónimo
"John Hancock". O atual escândalo é sobre as "john
hancocks" que vão passar a aparecer nas notas de dólar - tradicionalmente
assinadas pelo secretário do Tesouro (o ministro das Finanças deles). Depois de
Obama nomear Jack Lew para o cargo, começou-se a reparar na assinatura deste.
Estão a ver um fio de telefone enrodilhado? Uma mola de colchão? Os cabelos
anelados do Rui Santos? Sem que a caneta largue o papel, um primeiro aro, o
segundo mais pequeno, uma sequência de três aros, seguindo-se em crescendo dois
e um final. Oito anéis feitos por uma linha, como uma sucessão de nós. Para
definir uma crise financeira a imagem perfeita... Na banda desenhada, à
sucessão de espirais assim chama-se "boing!", e indica alguém que
perdeu as estribeiras e vai espatifar-se. Os ministros das Finanças de todo o
mundo deram em ser imagéticos. Um dia, aparece um a falar lentamente para
mostrar que nos toma por retardados.
FERREIRA FERNANDES
Hoje no (DN)

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