O fotógrafo We Have Kaos in the Garden colheu este belo
instantâneo que retrata um dos momentos
em que Gaspar se passeia pelas ruas da Ibéria Ocidental. Graças aos poderes que
adquiriu quando viveu com Alice no País das Maravilhas, o coelho sofre várias metamorfoses
de acordo com as circunstâncias. No momento da foto virou camelo. Debaixo do
manto vai o tufo de Relvas que o acompanha para toda a parte.
E foi assim que, sem que ninguém te conhecesse, chegaste à Tugalândia
rodeado de auréola de rei influentíssimo na Europa, dotado de mágicos poderes.
Ao contrário do que pensavas, o coelho, quando te viu, suspirou de alívio.
Ainda bem que chegaste, Gaspar! Governa tu esta merda porque eu tenho
mais que fazer.
Vejo que guardaste a relva que te dei. Tem-te sido útil, não é verdade?
Nem imaginas, Gaspar! Como dizias, já não consigo viver sem esta relva
atada ao meu corpo. É a minha segunda pele.
Bem, então vamos ao trabalhinho. Os tugas andam a viver acima das suas
possibilidades, são uns calaceiros e estão cheios de riquezas que não sabem
administrar. Não tenho muito tempo a perder, por isso o melhor é vendermos tudo
aí numa loja de chineses.
Espera aí, Gaspar, não te precipites! Eu conheci no País da Alice uns
tipos porreiros para tratar desses negócios e vou-lhes pedir que nos ajudem
nessa matéria.
Está bem, mas olha que eu também tenho que dar uma parte ao Espírito
Santo! Se não fosse ele, não havia Jesus, nem estábulo, nem essas tretas todas.
A propósito… preciso de falar com o Herodes!
Não vai ser fácil, porque o tipo
passa a vida a dormir no palácio de Belém, mas está descansado, porque ele
acorda todas as semanas durante meia hora para me receber e eu arranjo-te uma
audiência com ele. Vou tentar que ele
convide também os sábios de Tugalândia e tu vais lá no dia em que estiverem
todos reunidos, para lhes falares dos nossos planos.
Nossos? Tás mas é maluco! Os planos são meus, não tentes apropriar-te
de uma coisa que não é tua. E avisa esses teus amigos que nos vêm ajudar, que
não lhes pago grandes comissões. Ou melhor… tive uma ideia! A gente paga-lhes o
que eles pedirem e depois eles
devolvem-nos o dinheiro em impostos!
És genial, Gaspar! Mas olha uma coisa. E se nós puséssemos todos os
tugas a pagar muitos impostos? Não te parece boa ideia?
Não está mal pensado, não senhor. Mas ouvi dizer que andam aí uns tipos
que se armam em defensores do povo e são capazes de levantar problemas.
Estás a falar do Seguro? Está descansado, que aquilo é tudo fita! Está
mais domesticado do que um ratinho amestrado. E quanto aos outros dois não há
problema. Os tugas têm mais medo deles, do que o diabo da cruz. Sabes que isto
é uma terra da mãe de Jesus e os tugas não suportam a ideia de serem governados
por incréus!
Então vamos ao trabalho. Podes anunciar já aos tugas a nossa decisão. É
melhor que comecem já a estrebuchar, para que quando a gente lhes cobrar os
impostos já não tenham forças para reagir.Mãos à obra, porque só tenho quatro
anos para vender esta merda toda. Depois quero ir outra vez para a Europa,
porque já percebi que isto aqui tem uma linda vista, mas não é um sítio
aconselhável para se viver. Além disso, é demasiado pequeno e tacanho para a
minha inteligência e sabedoria.
E levas-me contigo, Gaspar?
Mas que grande pendura me saíste, pá! Não achas que já tens idade para
te desenrascar sozinho, em vez de andares a meter cunhas a toda a gente?
Não sejas mau p'ra mim, Gaspar!
Está bem, vou pensar no assunto. Faz tudo aquilo que eu mandar e no fim
conversamos.
Obrigado, Gaspar, és mesmo fixe!
(O pano cai, envergonhado, mas com mais competência do que a revelada
pelos protagonistas e pelo argumentista.)

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