Gosto de ler ou ouvir Fernando Alves. Uma voz melodiosa e uma escrita
que à medida que se vai lendo nos cativa mais. Receio que lhe venha a acontecer
o mesmo que a Nicolau Santos. Pessoas que se metem com o governo têm os dias
contados.
Este «governo» não sabe conviver com a crítica o mesmo acontece com Cavaco Silva. Mas nesta quadra está mais interessado em devorar o bolo-rei.
Fernando Alves expõe nesta crónica e refere amiúde a fila de ministros a
parede e o tapete. Diz que se encontram em cima do tapete mas quanto a mim só
lhe falta dizer que este tapete devia ter o condão do que nos conta a história das
mil e uma noites e fazer com que estes ministros e presidente da república sejam
levados para a Pérsia e não tenham retorno. O País ficava a lucrar se eles fossem
para a gruta de Ali-Babá. Em lugar de quarenta eram cinquenta e três.
"O microfone de pé tinha sido testado. A qualidade de som é, aliás, excelente.
Passos dá um passo, hesitante. E pergunta: "Sr. Presidente, quer
que eu fique aqui mais próximo de si?". Uma assessora assuma, hesitante em
assessorar. Não se escuta a voz do Presidente, não obstante a excelência da
qualidade de som. Vê-se, apenas, a mão presidencial, providencial, levando o
microfone para mais longe de si, para mais perto do Primeiro Ministro. Depois,
o Presidente recua dois passos. Passos cruza as mãos atrás das costas: "Eu
estou aqui com o governo todo". Não está, faltam dois ministros. Mas quem
se preocupa com detalhes se já nem o ritual tem a chama de outrora, a
institucional chama de outrora?
Este «governo» não sabe conviver com a crítica o mesmo acontece com Cavaco Silva. Mas nesta quadra está mais interessado em devorar o bolo-rei.
"O microfone de pé tinha sido testado. A qualidade de som é, aliás, excelente.
O microfone está colocado num dos cantos do enorme tapete da Sala dos
Embaixadores. A colocação deve ter obedecido a medições rigorosas.
Há, sobre o microfone de pé, um candelabro de tecto aceso.
Há uma fila de ministros, de um dos lados do microfone, ao longo da
cabeceira do tapete. Entre o tapete e a parede. Estão de pé, circunspectos. Não
encostados à parede. Nem no tapete. Entre a parede e o tapete. Circunspectos.
Do outro lado do microfone de pé, alguns membros da Casa Civil. E da Casa
Militar. De uma sala contígua, surgem o Primeiro Ministro, antecedendo o
Presidente. O microfone de pé já tinha sido testado. A qualidade de som é,
aliás, excelente.
Passos toma o seu lugar, alinhado com os ministros. O Presidente faz o
mesmo, no ângulo oposto. Estão equidistantes do microfone de pé.
Em 2009, com Sócrates, a frieza protocolar durou 7 minutos, mas sem
microfones. Ontem, o microfone de pé registou as palavras de uma via sacra.
Belém hirta era uma estação do Senhor dos Passos. Passos entrou e saiu do
pretório, com um sorriso de lâmina de quem não sabe como evitar o calvário.
Na página da Presidência está o registo da cena. Ao lado do video, uma
sequência de fotos, frios bacalhaus natalícios. Há uma indicação: "Clique
na imagem para ampliar". Mas talvez não devessem ampliar imagens que
diminuem."
Bom natal.
Fernando Alves escreve no português anterior ao acordo ortográfico.




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