Este estudo está provado pelos doutorados em criminologia. E… tem a sua
lógica. Assim como os adultos, eu incluído, de vez em quando vão ao baú das
suas recordações reviver certos momentos.
Um jogo de pião em que o nosso levou umas nichadas.
Uma corrida de rodas, feitas de "verguinha" como as
apelidávamos, ou de aros de bicicleta, em que íamos ao mecânico de bicicletas
(garangeiro), Albino Quintela pedir uma.
Uma corrida a pé em volta da quinta de Panelas a ver qual o vencedor
que tinha como prémio um livro de cowboys, oferecido pelo Né Quintela.
Um jogo de futebol no campo da Feira, que depois de findo, dava lugar a
uma corrida à pedrada do visitante.
Um namoro entre crianças que deixou gratas recordações. Tudo isto de
vez em quando vem à superfície da nossa imaginação.
É o que acontece com o nosso primeiro-ministro. Viveu poucos anos sob o
domínio de Salazar mas os elogios que seus pais lhe teciam deixou-o apaixonado
pela criatura. Há quem se sentia bem com a situação. Os filhos do que tudo
tinham mas que lhes faltava o essencial: solidariedade.
Foi preciso um grupo de remediados, há meia de dúzia de meses classe
média, para lutarem pela democracia por que de Salazar estavam fartos. Entre tantos
nomes que contribuíram com manifestações e greves, quer fosse estudantis ou
operárias, não consta nenhum sobrenome Passos Coelho.
Era melhor o calor angolano e a vida de burguês que lá levava. Estive
vinte e três meses em Angola a cumprir o serviço militar e quando vínhamos ao
Caxito nunca vi uma criança branca vir-nos pedir a ração de combate. Eram só de
raça negra.
Por isso não me admira de ver Passos Coelho na posse de livros de
Salazar. Cada um segue a ideologia que quer. Agora arvorar-se em democrata e
esconder o livro de Salazar que transporta consigo é coisa de cobardia.
Por isso o título deste texto: “O criminoso volta sempre ao local do
crime”. E… Passos Coelho está quase a consegui-lo. Comparações! Já as tem.
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