Estamos a aproximar-nos do Natal e não vejo o entusiasmo de outros anos. A maioria dos portugueses está com receio de escrever de falar e de o enfrentar. Antes, por esta altura, andava tudo numa fona à procura de pinheiros, musgo e outros artefactos para construir a árvore de natal e o presépio. Hoje pouco se vê. Também as nossas crianças não pedem prendas como era costume porque parecem que compreendem a crise do País. Não admira.
Quando são confrontados com fome, muitos, outros não têm coragem para almejar em receber prendas valiosas. Este País está a ser governado por gente que não sabe o que é a solidariedade e prefere a caridade para ter os seus pobres. Roubaram-nos o melhor que existe no Mundo: a esperança.
Comparo este natal aos dos anos cinquenta e sessenta do século passado.
Vejo a maioria dos pais de hoje com a mesma dificuldade dos meus. O sacrifício
e a dificuldade que tinham em nos explicar, a mim e aos meus irmãos, por que era
diferente o nosso natal do dos filhos dos mais remediados, há pouco tempo, “classe
média”.
De manhã lá íamos sorrateiramente
ver o que o menino Jesus nos ofertava. Às vezes ia com medo de não ser
contemplado porque a minha mãe dizia que se não tivesse bom comportamento ia
ser penalizado. O meu comportamento não era um exemplo, pelo contrário, e doía-me
a barriga enquanto não via no meu sapato, em mau uso, as prendas.
Quando via que as prendas eram há base de uns pequenos chocolates, rebuçados,
pinhões e uma sandes de marmelada ficava contente porque raras vezes desfrutava
destas iguarias. Com o passar dos anos apercebi-me que eram os meus pais que as
compravam. Fiquei desiludido mas compreendia o esforço deles.
Como antigamente estão a roubar os sonhos das nossas crianças. Há
tempos o Papa Bento XVI num livro que escreveu disse que a vaca e o jumento não
fazem parte do presépio. Quem como eu que sempre viu esses animais a dar calor
com o seu bafo ao menino Jesus fica incrédulo com tais afirmações. Este
rouba-nos os animais e Passos Coelho quer-nos roubar tudo: subsídio de férias e
natal e a partir de ontem quer-nos roubar a reforma. Por isso não me admira que
depois nos caia a catástrofe que a seguir é relatada.
“Este ano não vai haver
presépio! Lamentamos, mas:
- A vaca está louca e já não se segura nas patas.
- Os Reis Magos não podem vir porque os camelos estão no governo.
- No rebanho de ovelhas grassa a língua azul.
- O burro está na escola a dar aulas de substituição.
- N. Senhora e S. José foram meter os papéis para o rendimento mínimo
garantido.
- A ASAE encerrou o estábulo por falta de condições higiénicas.
- Uma tenda era a solução alternativa, mas o Kadafi levou-a.
- O tribunal de menores de Coimbra ordenou a entrega do Menino Jesus ao
pai biológico.
- O Pai Natal também não pode vir porque o trenó foi apanhado numa
operação stop e ficou sem transporte.
Nota: Esta foi a solução encontrada pelo governo, mas as crianças não
gostaram e os adultos odiaram.

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