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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Natal:


Estamos a aproximar-nos do Natal e não vejo o entusiasmo de outros anos. A maioria dos portugueses está com receio de escrever de falar e de o enfrentar. Antes, por esta altura, andava tudo numa fona à procura de pinheiros, musgo e outros artefactos para construir a árvore de natal e o presépio. Hoje pouco se vê. Também as nossas crianças não pedem prendas como era costume porque parecem que compreendem a crise do País. Não admira.
Quando são confrontados com fome, muitos, outros não têm coragem para almejar em receber prendas valiosas. Este País está a ser governado por gente que não sabe o que é a solidariedade e prefere a caridade para ter os seus pobres. Roubaram-nos o melhor que existe no Mundo: a esperança.

Comparo este natal aos dos anos cinquenta e sessenta do século passado. Vejo a maioria dos pais de hoje com a mesma dificuldade dos meus. O sacrifício e a dificuldade que tinham em nos explicar, a mim e aos meus irmãos, por que era diferente o nosso natal do dos filhos dos mais remediados, há pouco tempo, “classe média”.
De manhã lá íamos sorrateiramente ver o que o menino Jesus nos ofertava. Às vezes ia com medo de não ser contemplado porque a minha mãe dizia que se não tivesse bom comportamento ia ser penalizado. O meu comportamento não era um exemplo, pelo contrário, e doía-me a barriga enquanto não via no meu sapato, em mau uso, as prendas.
Quando via que as prendas eram há base de uns pequenos chocolates, rebuçados, pinhões e uma sandes de marmelada ficava contente porque raras vezes desfrutava destas iguarias. Com o passar dos anos apercebi-me que eram os meus pais que as compravam. Fiquei desiludido mas compreendia o esforço deles.
Como antigamente estão a roubar os sonhos das nossas crianças. Há tempos o Papa Bento XVI num livro que escreveu disse que a vaca e o jumento não fazem parte do presépio. Quem como eu que sempre viu esses animais a dar calor com o seu bafo ao menino Jesus fica incrédulo com tais afirmações. Este rouba-nos os animais e Passos Coelho quer-nos roubar tudo: subsídio de férias e natal e a partir de ontem quer-nos roubar a reforma. Por isso não me admira que depois nos caia a catástrofe que a seguir é relatada.
 “Este ano não vai haver presépio! Lamentamos, mas:
- A vaca está louca e já não se segura nas patas.
- Os Reis Magos não podem vir porque os camelos estão no governo.
- No rebanho de ovelhas grassa a língua azul.
- O burro está na escola a dar aulas de substituição.
- N. Senhora e S. José foram meter os papéis para o rendimento mínimo garantido.
- A ASAE encerrou o estábulo por falta de condições higiénicas.
- Uma tenda era a solução alternativa, mas o Kadafi levou-a.
- O tribunal de menores de Coimbra ordenou a entrega do Menino Jesus ao pai biológico.
- O Pai Natal também não pode vir porque o trenó foi apanhado numa operação stop e ficou sem transporte.
Nota: Esta foi a solução encontrada pelo governo, mas as crianças não gostaram e os adultos odiaram.

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