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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Isto é uma coutada:


Há instituições que os Freamundenses gostam e preservam mas não deixam de criticar o que acham mal. Há dias numa conversa de café, entre amigos, falou-se das várias associações existentes em Freamunde que muito tem contribuído para o desenvolvimento da nossa cultura. 
Elogio aqui, crítica acolá, falou-se do que está a acontecer ao Sport Clube de Freamunde, quanto à classificação actual e a sua sobrevivência. 
Todos sabemos que as instituições concelhias são patrocinadas pela Câmara Municipal de Paços de Ferreira. Se assim não fosse onde estariam essas colectividades! 
Mas, sabe-se de antemão, que a torneira a qualquer momento pode fechar. Que as colectividades têm de olhar para o produto produzido internamente e passar a viver com o que as suas escolas vão criando. Seja no futebol ou na música.
Aqui os intervenientes viraram-se mais para a Associação Musical de Freamunde. Não sei se devido ao facto das comemorações dos seus cento e noventa anos, ou a prever, uma crise como o Spot Clube Freamunde está a passar. 
Quando não se tem dinheiro, quando o patrocínio das empresas está a falhar derivado à crise que assola o País, é preciso arranjar sinergias para combater estas falhas. 
A certo ponto da conversa falou-se de um certo profissionalismo que existe nestas associações. 
Fiz ver que as tem de haver para compensar certo amadorismo que existe e se assim não for perde-se certa qualidade e os convites mingam no que diz respeito à Associação Musical. 
Que certos naipes de instrumentos têm carências de bons músicos e é por esse motivo que se tem de ir fora, ou seja, a bandas profissionalizadas contratar certos músicos. 
Aqui fui contrariado. Que para combater esta crise é só mudar os Estatutos e autorizar o ingresso de músicos do sexo feminino e que em Freamunde não faltam a tocar noutras associações. 
Que se admiram que a Associação Musical de Freamunde seja uma instituição de utilidade pública e que os estatutos prevejam tal alínea.
Fiz ver que o que se consta é que isso podia vir a criar alguns problemas de ordem moral no seio da Banda entre músicos do sexo masculino e feminino. 
Ouvi como resposta que era um retrógrado e isso se devia a ter sido educado numa escola onde se dividia rapazes e raparigas. 
Disse que essa não era a minha opinião mas sim o que constatava em conversas com pessoas entendidas na matéria. 
Qual matéria qual carapuça! - Ouvi de um interveniente. 
O exército já não tem elementos do sexo feminino? As bandas militares não tem nas suas fileiras elementos do sexo feminino? Porque a de Freamunde há-de ser diferente? Se vamos ser obrigados a reduzir os custos porque não introduzir estes elementos na banda? Assim não nos sentíamos mais orgulhosos com a prata da casa! 
Respondi. - Entendo que sim. Sabem que sou um defensor desta causa embora há pouco me intitulassem como um retrógrado.
O que eu gosto de ver e sinto orgulho é que as nossas colectividades tenham entre os seus elementos pessoas de Freamunde sejam elas masculinas ou femininas. 
Que todas colectividades de Freamunde têm elementos dos dois sexos menos a Associação Musical de Freamunde. 
Disse que ia escrever um texto sobre esta conversa que estávamos a ter e o “Rodela” prontificou-se a fazer uns versos sobre este tema os quais publico. 
     
“Isto é uma coutada?”

Neste nosso País de liberdade
as mulheres, na terra dos capões,
são proibidas, por certos figurões,
de tocarem na banda da cidade.

E os que mandam alinham nisto tudo,
vão dizendo que sim com toda a gente,
entre eles não há nada de diferente…
andam todos ao som de tal “canudo”!

O que diz a constituição, é entulho!...
o que importa é subsidiar o orgulho
destes ditos senhores da coutada,

que dizem para aí à boca cheia:
A mulher é um bombo em que se arreia…
só serve p’ra parir e p’ra mais nada!

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