A visita de Merkel está a terminar à hora que inicio este texto. Foi
uma visita relâmpago. O que lhe foi dado ver não mostra o essencial do País.
Por onde passou e alocou não é o Portugal profundo. Esconderam-lhe os sem
abrigos, não viu os carros alemães a transitar nas nossas estradas, o trânsito
por onde passa está cortado, os bairros parecem guetos, as nossas crianças, a
maioria delas, só com uma refeição no estômago.
Ao contrário é transportada numa viatura à prova de bala. Mostram-lhe casas
e mansões opulentas, centros culturais esplêndidos, sempre as mesmas caras
risonhas com fatos e gravatas último grito. Os cumprimentos da ordem. Os
sorrisos, os beijos e a hipocrisia disfarçada. O olhar dos seguranças e
responsáveis pelo evento para que tudo corra bem e não apareça ali nenhum
intruso e dê cabo da recepção.
A Chanceler não sabe que está no meio de gente que têm medo de
enfrentar o povo. Fogem a bom fugir de quem os enfrenta. Esses que a rodeiam
fazem parte dos figurantes contratados pelo governo de Passos Coelho fazendo
lembrar as antigas carpideiras. O verdadeiro povo está separado de si por uma
barreira para que não se aproximem e mostrar-lhe como são os verdadeiros
portugueses.
Confraternizou com empresários mas esqueceu-se dos trabalhadores e seus
representantes. Falou com o Presidente da República e Primeiro-ministro mas
esqueceu a oposição.
A senhora é filha da ditadura. Aquando da junção das duas Alemanhas (RDA e FRA) a sua primeira reacção foi ir ver o que se passava na RFA. Estava habituada a esconderem-lhe tudo. Não se admira que por onde passou parece não haver vida! Lisboa é uma cidade bonita. Com muito trânsito e muita gente na rua.
A senhora é filha da ditadura. Aquando da junção das duas Alemanhas (RDA e FRA) a sua primeira reacção foi ir ver o que se passava na RFA. Estava habituada a esconderem-lhe tudo. Não se admira que por onde passou parece não haver vida! Lisboa é uma cidade bonita. Com muito trânsito e muita gente na rua.
A senhora não tem culpa. Não está na sua casa e tem de obedecer ao
protocolo. Mas de certeza, está habituada a estas situações, no seu juízo sabe
que Portugal não é isto que lhe apresentam. Portugal não é um povo que come e
cala. Há os que contestam. Onde está a contestação?
Noutros tempos escondiam-se os mendigos, os pés descalços e não se
passava próximo das barracas à entrada de Lisboa. Quem nos visitava delirava
com o que via. Depois de acabar, tudo voltava à normalidade. Lá apareciam os mendigos
e os pés descalços.
É o que vai acontecer após o levantar do avião que a trouxe até este
lindo País. Os governantes vão esfregar as mãos de contentamento mas a maioria
dos portugueses vão continuar com mais problemas que até agora. É que a despesa com sua visita não ficou nada barata.
Mas a senhora não tem culpa.
Mas a senhora não tem culpa.

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