Obrigado, Brighton e Carlos Mendes, pelo envio deste trabalho.
FOME E DESEMPREGO VS. CARIDADE E VOLUNTARIADO
BANCO ALIMENTAR: A ENGORDA DA IGREJA CATÓLICA
(por Serafim Lobato)
Os meios de comunicação social dominantes e os piedosos moralistas
defensores da especulação caritativa deram azo à sua veia
"humanista", neste últimos tempos, enaltecendo o "trabalho"
de uma entidade chamada Banco Alimentar contra a Fome por uma recolha
"monumental" de produtos alimentares que, segundo os seus promotores,
serão entregues a 2116 "instituições de solidariedade social" com
quem aquele mantém "acordos".
De onde vieram os produtos? dos próprios contribuintes. Boa malha.
Chama-se isto "auto-abastecimento" para ser distribuído pelas
"capelas".
Porque não recorreu o Banco Alimentar aos dividendos dos accionistas
dos bancos, aos chorudos lucros dos capitalistas para "ajudar" quem
passa fome?
É o Banco uma instituição idónea, independente? Não. Os três directores
executivos para o triénio de 2012-2014, são Isabel Jonet, José Manuel Simões de
Almeida e Sérgio Augusto Sawaya, que foi até, há alguns anos atrás,
administrador do Banco BPI (que curiosamente tem como principal accionista a
catalã La Caixa, ligada à Opus Dei).
Convém explicar, até com pormenor, qual a razão prática da inutilidade
destes Bancos "moralistas", que são, apenas, instituições privadas,
que não produzem riqueza, nem fomentam o emprego produtivo, nem educam as
massas populares para exigirem os seus direitos, que são deles próprios, porque
fazem descontos, logo, pagam impostos.
É função do Estado - e não de qualquer empresa privada, apelidada de de
"solidariedade", ou de "caridade" - de prover o bem-estar
dos seus cidadãos.
As chamadas Instituições de Solidariedade Social - na sua esmagadora
maioria, imensamente esmagadora - estão sob controlo financeiro, político e
social da Igreja Católica portuguesa. O dinheiro não provem da sua acção. É o
Estado que transfere os dinheiros públicos para os homens-fortes dessas
instituições (IPSS, Misericórdias, e outras) os hierarcas religiosos, que
dependem dos bispos. E a dotação orçamental do Estado (OE), repito do Estado
ultrapassou em 2011 os 1,2 milhões de euros.
Além do mais os utentes, nos casos dos lares, entreguem ainda até 80
por cento das suas reformas. Um duplo ganho para os cofres da Igreja Católica.
Do ponto de vista do progresso humano, da evolução societária, não
podemos ser cúmplices das falsificações dos tipos de solidariedade colectiva
social e das próprias relações sociais que atravessam todo o sistema da
actividade humana.
É natural que numa situação de empobrecimento real da população, que
busca, em primeiro lugar, a sobrevivência, as pessoas - e são em número elevado
- pensem na sua "barriga" e na alimentação, ainda que mínima, e dos
seus próximos.
Naturalmente, os apaniguados da caridade, como reacção, lançar-se-ão,
como leões esfaimados, contra aqueles que denunciam os manipuladores da
miséria, os hipócritas do bem fazer, encobertos com a perfídia de evitar que os
instigadores do empobrecimento do povo, sejam apontados e severamente
castigados.
O Banco Alimentar contra a Fome (BACF) é "uma grande empresa e tem
de ser gerido como uma grande empresa", confessa à revista da CIA
norte-americana "Selecções Reader's Digest", numa entrevista
conduzida por uma senhora chamada Anabela Mota Ribeiro à Presidente da Direcção
da citada entidade, Isabel Jonet.
Consultado o relatório do BACF de 2010, verifica-se que o grosso da
distribuição de produtos se espalha, essencialmente, por "conferências
vicentinas", "centros paroquiais", "centros sociais" e
"associações", umbilicalmente, ligadas à Igreja Católica portuguesa.
Naturalmente, o BACF tem, ao seu serviço, muitos voluntários, mas
igualmente trabalha com "profissionalismo", ou seja há um sector que
recebe dos "donativos" para seu favor.
Como sempre, em instituições da Igreja Católica, os valores monetários
são "enrolados", obscurecidos, como por encanto.
Vamos referir e enquadrar a parte a que isso diz respeito no relatório
de actividades de 2010, que tem a assinatura principal de Isabel Jonet.
Circulam, portanto, produtos, mas também dinheiro - não sabemos quanto,
porque o relatório não o divulga.
"Em 2010, registou-se um grande acréscimo (19,7%) no total de
produtos angariados relativamente ao ano anterior, resultante sobretudo da
dotação orçamental extraordinária aprovada pelo Conselho de Ministros da UE
para o Programa Comunitário de Ajuda a Carenciados (excedentes da União
Europeia), em resposta à crise vivida na União Europeia e à qual Portugal não
escapou", assinala o Relatório, ou seja a UE deu dinheiro ao Banco.
No mesmo relatório, pag. 12, são
explanadas, em traços, largos, as contas, em dinheiro, repito, em dinheiro, que
são "movimentadas", não sabemos como!!!, com os títulos gerais
"Custos" e "Proveitos". Os primeiros, no total, ascendem,
em 2010, a 17.500.303,38 euros, e os "Proveitos" somam 17.510.470,89
euros.
Dos produtos, doados pelas grandes empresas, como Pingo Doce, SONAE,
entre outras, recebem os "restos", bem como do MARL, ao fim do dia,
ou seja quando se encontram, provavelmente, no limite do prazo de validade.
Estamos perante uma domesticação grosseira das necessidades das pessoas
carenciadas. Roubam-se salários, roubam-se pensões, lançam no desemprego
milhões de pessoas, e depois entregam o dinheiro a uns "seres morais"
que, privadamente, com o dinheiro público e as doações populares, servem as refeições
aos esfomeados. O desprezo mais repugnante pela condição, a hipocrisia do falso
moralizador que, hipocritamente, se intitula em salvador e em benfeitor.
Retirado do blogue “Reflexos”
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