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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Grande Poeta é o Povo Português:


Assisti hoje em directo, através do Canal Parlamento, à Reunião Plenária sobre o Debate na Especialidade do Orçamento 2013. O seu início foi algo confuso. Como confuso continuou a ser. Em dado momento o deputado comunista, Jorge Machado, insurgiu-se contra o roubo, usando por várias vezes o adjectivo roubo, seus gestos e derivados. 
Numa interpelação à mesa feita pelo deputado do CDS/PP, Nuno Magalhães, chamou à atenção a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, pela forma como está a autorizar o vocabulário dos deputados. Que na casa da democracia não se deve autorizar tudo. Assunção Esteves desculpou-se em como estava numa conversa amena com um elemento da mesa e não deu por isso. Fez uma chamada de atenção mas não passou disso.
Pena é que Nuno Magalhães só agora venha lembrar isso e não se lembre o que o seu presidente de partido e o seu líder parlamentar, ambos ministros deste governo, diziam aos ministros do PS, principalmente José Sócrates, Teixeira dos Santos e Jaime Silva. Os defeitos que apontamos aos outros nos nossos são virtudes.
Diz Nuno Magalhães que a casa da democracia deve ser preservada. Nada mais correcto. No conto de Ali-Babá também estes queriam ser preservados. Até tinham um lugar para reunião. Só que em lugar de quarenta estes são cento e trinta e dois.   
Jorge Machado tem, quanto a mim, direito de usar essas frases por que elas são usuais na boca dos portugueses e no dicionário de língua portuguesa. Os portugueses nas manifestações, conversas de rua ou café dizem-nas, assim como outras mais ofensivas e o senhor deputado não move qualquer crítica. Será porque acha que na Assembleia da República são conversas em família? Olhe que não senhor deputado! Olhe que não!
Para provar isso aqui vão uns versos que o Povo Português usa:

"Grande Poeta é o Povo Português"

Portugal está na pobreza
Mas a Língua Portuguesa
Continua a enriquecer,
Já era uma Língua rica
Se agora mais rica fica
É o que está p'ra se ver.

Há vocábulos usados
Com vários significados
Denominados homónimos;
Também se exprime a preceito
Uma ideia ou um conceito
Usando vários sinónimos.

Está neste caso " ROUBAR "
" FURTAR "," DESAPROPRIAR "
" SURRIPIAR" e " EXTORQUIR";
" RAPINAR" ou " SAQUEAR "
" ESBULHAR " e " GATUNAR "
" PILHAR " e " SUBTRAIR ".

" PALMAR " e " LARAPIAR "
" BIFAR ", "PIFAR ", ou " GAMAR"
Mesmo que seja em calão;
" ASSALTAR " ou " SALTEAR "
" TIRAR ", " LIMPAR ", " DESPOJAR",
Tem tudo a mesma acepção.

" CONFISCAR ", " DESAPOSSAR ",
" APROPRIAR ", " ESPOLIAR "
São conceitos semelhantes;
" RIPAR " e "AMARFANHAR "
" ARREPANHAR ", " EMPALMAR ",
Larápios são uns tratantes.

Surge agora um novo termo
Criado por um estafermo
Que nos está a " (des ) governar";
Com imprevidentes " PASSOS "
Fazendo de nós palhaços
Inventa o verbo... " gaspar ".

" GASPAR " é neologismo
Que nos lança para o abismo
Num desastre humanitário;
Mesmo com o país enfermo
Vamos extirpar tal termo
Do nosso vocabulário.

(Autor desconhecido)

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