‘No período que antecedeu as eleições de 2011, quem ousasse dizer que a
crise não era apenas fruto da política de Sócrates era logo apodado de acrítico
defensor do engenheiro.
E o paradigma económico assente nas obras públicas, imobiliário e
expansão do consumo interno, inaugurado por Cavaco? Nem pensar.
E a crise sistémica na Europa? Só faltava.
No frenesi de derrubar o engenheiro, a classe política portuguesa
limitou-se a pensar taticamente e a silenciar a realidade que enfraquecesse o
seu propósito. Digo isto com o à vontade de, nesta coluna, ter sido um severo
crítico de Sócrates. Este quadro é, todavia, portador de esperança.
A classe política e grande parte do eleitorado do norte da Europa, que
têm sustentado esta cruzada de punições ao Sul – empobreçam para merecer algum
pão –, já têm a recessão à porta dos seus países. Falta, por isso, pouco para
virem tecer loas à austeridade com investimento, muito investimento, agora que
lhes toca na pele o castigo que, hipócritas a viver do nosso deficit, nos
quiseram infligir.
Abençoada recessão.’
Por: Magalhães e
Silva, Advogado
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