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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Semear ventos:


Assisti hoje, dia doze de Outubro de dois mil e doze, ao debate quinzenal na Assembleia da República, com o tema “A União Europeia”. Mais uma vez Passos Coelho mostrou-se insensível e rancoroso, acusando a oposição de incentivar a população portuguesa à violência.
“O primeiro-ministro, Passos Coelho, acusou esta sexta-feira o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, de incitar à violência com as declarações «incendiárias» e que «instigam à violência».
O tom do debate quinzenal aqueceu após Jerónimo de Sousa acusar o Governo de «roubar» dois mil milhões de euros aos trabalhadores e pensionistas.
Na resposta, Passos Coelho acusou os comunistas de usarem expressões que ofendem «a honra política» do Governo e que incitam à violência.
«O PCP usa expressões que são entendidas como convite à violência», disse. «Lamento que o PCP queira ficar associado à instigação à violência», acrescentou.”
Jerónimo de Sousa respondeu dizendo que «ofensa à honra é faltar à palavra dada, ofensivo é destruir vidas».
Não é a oposição que instiga mas sim os portugueses que já estão fartos de tantos sacrifícios e mentiras. Não foram os portugueses que depois de pedidos sacrifícios se conformaram e obedeceram? Se os portugueses se conformaram o que lhes restava era passado esse tempo ver resultados. 
Em vez disso o que receberam os portugueses? Mais austeridade. É a oposição que instiga à violência? Ou são os portugueses que não vêem resultados e estão fartos de tantas mentiras. Depois qual é a maior violência? A verbal, a física ou a económica? Julgo que é a económica. Os portugueses já não suportam tanta violência económica. 
Tanto prometeu na campanha eleitoral e nada cumpriu até hoje. Disse que nunca se aproveitava do passado e não há um único discurso seu ou da maioria parlamentar que não se refira a ele. 
Se havia português que melhor estava informado da situação é ele. Não foi Passos Coelho que nomeou Catroga para ir negociar com a Troika? Agora não pode dizer que desconhecia a situação do País. Durante a campanha eleitoral disse que não aumentava os impostos, não mexia nos Subsídios, no SNS e Educação. E quais foram as primeiras medidas depois de formar governo. De quem são as frases que se seguem:

"Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissermos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas suas acções".
"Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objectivos e não os cumpram.
Sempre que se falham os objectivos, sempre que a execução do Orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia afunda-se".
"Não se pode permitir que os responsáveis pelos maus resultados andem sempre de espinha direita, como se não fosse nada com eles". "Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos?"
Ao deixar derrapar a execução orçamental, ao afundar a economia nacional e ao não cumprir os objectivos que se propôs, designadamente não atingindo a meta do défice (4,5%) com que se comprometeu, o Governo incorreu em responsabilidade criminal.
Quem o disse não fui eu. Foi o próprio Dr. Passos Coelho, num discurso de que o "Correio da Manhã" de 6-11-2010 publicou os excertos atrás descritos. Onde vemos a justiça ir sobre ele por falsas declarações e promessas?
Em tempos tivemos homens dignos. O que prometiam cumpriam. Quando não tinham a possibilidade de cumprir a palavra dada iam de corda ao pescoço pôr a sua vida ao dispor de quem enganaram. Quando é que vamos ver de corda ao pescoço Passos Coelho, o seu governo e a sua bancada? Nunca. Fogem de quem enganaram como o diabo foge da cruz. 
Só sabe semear ventos. E… quem os semeia só tem uma solução: colher tempestades.

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