domingo, 21 de outubro de 2012

O conto do vigário:


Vários são os que têm caído. O vigarista, grosso modo, apresenta-se bem vestido, bom dialogante e sempre com um negócio de última hora. O negócio torna-se apetitoso levando a vítima a não recusar tal oferta, havendo vezes, que não consulta ninguém com medo que lhe roubem o negócio. Quando acontece de se informar, informa-se com quem faz parte do conto do vigário. A vítima quando aceita o negócio pensa exclusivamente no seu ganho não se importando com a perda do outro.
Depois de se saber enganado é que deita as mãos à cabeça e vai fazer queixa. Há alguns que não o fazem por vergonha. Para mim, tanto é um como o outro, o vigarista. Falo com experiência. Um dia, já lá vai muitos anos, quando cumpria serviço militar em Balacende, Angola, no Bar do Soldado, estava o soldado Morais, de apelido (Lisboa) com um baralho de cartas a fazer um truque tão simples que se alguém apostasse o Lisboa perdia. No meio disto tudo há sempre alguém combinado com o autor do jogo para iludir os incautos a entrar nele. Nesse jogo as coisas eram tão às claras que éramos nós que o estávamos a enganar. As cartas que nos eram mostradas sem ele as ver não correspondiam ao que nós afirmávamos ser. Era aí que o Lisboa fazia entrar a sua perícia e nos ganhava a aposta. A aposta foi uma grade de cerveja que foi distribuída por todos que se encontravam no Bar do Soldado.
Quando as estávamos a beber entra no Bar do Soldado o Oficial Dia, um Alferes Miliciano, não refiro o nome, que tirou o baralho de cartas ao Lisboa, dizendo que ia participar dele por estar a usar vigarices. Éramos muitos e ninguém foi em defesa do Lisboa a não ser eu. Disse ao Oficial Dia que mais vigaristas que o Lisboa éramos nós, explicando-lhe como foi o jogo. Mesmo assim participou e o Lisboa levou uma pena pesada. Resta acrescentar que foi uma denúncia que levou ali o Oficial Dia.
Outro caso acontecido com uma minha conterrânea. Um dia foi à feira do Cô que se celebra nos dias cinco e vinte um de cada mês para comprar um leitão para criar para mais tarde matar. Viu um jogo da “Bugalhinha” e como os apostadores ganhavam a aposta com facilidade tentou ali a sua sorte. Como ainda não tinha comprado o leitão resolveu apostar algum dinheiro com a finalidade de ganhar o suficiente para a tal compra.
Difícil não era. Bastava ter a sorte dos outros apostadores. Só que o engodo tinha sido lançado e agora a vítima era outra e esta era para depenar. E assim aconteceu. Quando se começa a perder tem-se sempre o intuito de pelo menos ir buscar o perdido não se pensando que cada vez se perde mais. E foi de tal maneira que o dinheiro com que ia comprar o leitão e para a viagem de regresso foi ali todo gasto. Teve de fazer a viagem a pé e eram uns bons pares de quilómetros.
À medida que a tecnologia avança torna-se mais fácil aparecerem os burlões na Internet. Inventam tudo para enganar o próximo. São soluções para tudo. Ainda há dias o meu computador bloqueou. Apareceu logo o anúncio a informar-me como devia proceder mediante o pagamento de cem euros. Esse anúncio estava provido do emblema da PSP para dar ar de seriedade. Como tenho amigos que sabem tratar destes problemas dei conhecimento a um. Prontificou-se a resolver-me o problema e que o motivo desse bloqueamento tinha como originários uma seita de charlatães  Fez-me esse reparo em menos de cinco minutos.
A finalidade deste texto serve para prevenir os incautos. Estamos num tempo de crise e os carteiristas, vigaristas, jogo da bugalhinha e os charlatães da Internet vão aparecer não com o intuito de fazer concorrência ao Governo, porque este aparece em qualquer lugar e a qualquer hora mas sim para viver à custa do alheio.
Aqui vai a solução para o problema do bloqueamento do computador:
01 – Ligar o computador em F8
02 – Seleccionar o Modo de Segurança
03 – Menu iniciar
04 – Todos os programas
05 – Acessórios
06 – Ferramentas do sistema
07 – Restauro do sistema
08 – Seguinte
09 – Seguinte
10 – Concluir, sim
Se todos nos entre-ajudarmos estes charlatães desaparecem.

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