Vários são os que têm caído. O vigarista, grosso modo, apresenta-se bem
vestido, bom dialogante e sempre com um negócio de última hora. O negócio
torna-se apetitoso levando a vítima a não recusar tal oferta, havendo vezes,
que não consulta ninguém com medo que lhe roubem o negócio. Quando acontece de
se informar, informa-se com quem faz parte do conto do vigário. A vítima quando
aceita o negócio pensa exclusivamente no seu ganho não se importando com a
perda do outro.
Depois de se saber enganado é que deita as mãos à cabeça e vai fazer
queixa. Há alguns que não o fazem por vergonha. Para mim, tanto é um como o outro,
o vigarista. Falo com experiência. Um dia, já lá vai muitos anos, quando
cumpria serviço militar em Balacende, Angola, no Bar do Soldado, estava o
soldado Morais, de apelido (Lisboa) com um baralho de cartas a fazer um truque
tão simples que se alguém apostasse o Lisboa perdia. No meio disto tudo há
sempre alguém combinado com o autor do jogo para iludir os incautos a entrar nele.
Nesse jogo as coisas eram tão às claras que éramos nós que o estávamos a
enganar. As cartas que nos eram mostradas sem ele as ver não correspondiam ao
que nós afirmávamos ser. Era aí que o Lisboa fazia entrar a sua perícia e nos
ganhava a aposta. A aposta foi uma grade de cerveja que foi distribuída por
todos que se encontravam no Bar do Soldado.
Quando as estávamos a beber entra no Bar do Soldado o Oficial Dia, um Alferes
Miliciano, não refiro o nome, que tirou o baralho de cartas ao Lisboa, dizendo
que ia participar dele por estar a usar vigarices. Éramos muitos e ninguém foi
em defesa do Lisboa a não ser eu. Disse ao Oficial Dia que mais vigaristas que
o Lisboa éramos nós, explicando-lhe como foi o jogo. Mesmo assim participou e o Lisboa levou uma pena pesada. Resta acrescentar que foi uma denúncia que levou
ali o Oficial Dia.
Outro caso acontecido com uma minha conterrânea. Um dia foi à feira do
Cô que se celebra nos dias cinco e vinte um de cada mês para comprar um leitão
para criar para mais tarde matar. Viu um jogo da “Bugalhinha” e como os
apostadores ganhavam a aposta com facilidade tentou ali a sua sorte. Como ainda
não tinha comprado o leitão resolveu apostar algum dinheiro com a finalidade de
ganhar o suficiente para a tal compra.
Difícil não era. Bastava ter a sorte dos outros apostadores. Só que o
engodo tinha sido lançado e agora a vítima era outra e esta era para depenar. E
assim aconteceu. Quando se começa a perder tem-se sempre o intuito de pelo
menos ir buscar o perdido não se pensando que cada vez se perde mais. E foi de
tal maneira que o dinheiro com que ia comprar o leitão e para a viagem de
regresso foi ali todo gasto. Teve de fazer a viagem a pé e eram uns bons pares de quilómetros.
À medida que a tecnologia avança torna-se mais fácil aparecerem os
burlões na Internet. Inventam tudo para enganar o próximo. São soluções para tudo.
Ainda há dias o meu computador bloqueou. Apareceu logo o anúncio a informar-me
como devia proceder mediante o pagamento de cem euros. Esse anúncio estava
provido do emblema da PSP para dar ar de seriedade. Como tenho amigos que sabem
tratar destes problemas dei conhecimento a um. Prontificou-se a resolver-me o
problema e que o motivo desse bloqueamento tinha como originários uma seita de charlatães Fez-me esse reparo em menos de cinco minutos.
A finalidade deste texto serve para prevenir os incautos. Estamos num
tempo de crise e os carteiristas, vigaristas, jogo da bugalhinha e os charlatães da Internet vão aparecer não com o intuito de fazer concorrência ao Governo,
porque este aparece em qualquer lugar e a qualquer hora mas sim para viver à
custa do alheio.
Aqui vai a solução para o problema do bloqueamento do computador:
01 – Ligar o computador em F8
02 – Seleccionar o Modo de Segurança
03 – Menu iniciar
04 – Todos os programas
05 – Acessórios
06 – Ferramentas do sistema
07 – Restauro do sistema
08 – Seguinte
09 – Seguinte
10 – Concluir, sim
Se todos nos entre-ajudarmos estes charlatães desaparecem.
Se todos nos entre-ajudarmos estes charlatães desaparecem.

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