“Foi há muito, muito, tempo...O 25 de Abril ainda andava nas ruas, as
pessoas ainda acreditavam que o fascismo não voltaria e o povo unido jamais
seria vencido.
Eu acabara de cumprir o serviço militar e iniciava-me na psicologia. Um
dia, a minha amiga Teresa Rosmaninho- que viria a ser a cara da APAV- levou ao
meu consultório uma mulher. Rapidamente me apercebi que aquelas roupas
estampadas de cores garridas, adornando um corpo vistoso, escondiam uma alma
amarga e um corpo dorido de nódoas negras.
A mulher era prostituta e as nódoas negras que coleccionava um pouco
por todas as partes visíveis do seu corpo eram o resultado dos correctivos que
o chulo todos os dias lhe infligia, insatisfeito com o fraco pecúlio que a
mulher lhe trazia, insuficiente para alimentar o vício da droga.
A mulher confessou-me que em tempos o amara e até tinha dois filhos dele,
mas naquela altura olhava para ele apenas como o homem que a protegia de
eventuais maus tratos dos clientes. Por isso não o podia deixar, já que temia
que esse acto tresloucado lhe pudesse trazer consequências imprevisíveis,
incluindo a morte. Dela ou dos seus filhos.
Lembrei-me deste episódio quando ouvi esta frase de Teresa Leal Coelho.
Ela representa o modo de pensar do PSD. Incapaz de enfrentar os chulos da
troika, prefere aceitar os castigos que eles lhe impõem, a negociar
alternativas. Com essa atitude escraviza os portugueses e condena-os a sevícias
inaceitáveis.
Apesar de tudo, a prostituta que naquele dia entrou no meu consultório,
tinha mais dignidade. Se lhe garantissem a protecção dos filhos, ela estava
disposta a deixar de se prostituir.
O PSD, pelo contrário, prostitui-se diariamente e não tem qualquer pejo
em fazer alarde disso. Teresa Leal Coelho está muito reconhecida porque os
chulos da troika lhe pagam o lugar que ocupa no Parlamento e adverte os seus
adversários políticos com assento no hemiciclo que também devem estar gratos,
em vez de apresentarem moções de censura. Por isso admite continuar a
prostituir-se politicamente e a levar cargas de porrada. Para não morrer como
política!”
Carlos Barbosa de Oliveira
Em "Cronicas do Rochedo"

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