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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Justiça Cega (2). O seu a seu dono:

Continuação: 

E assim foi. Com a tomada de posse como directora de Maria Manuel Martins veio uma funcionária administrativa que também esteve no E. P. Regional de Ponta Delgada e uma educadora para o Serviço de Educação.
Tomou-se a iniciativa de fazer obras. A parte do edifício que antes servira de casa de habitação ao subchefe Josefino, não foi adquirida por mim nem pelo subchefe Abreu, para o mesmo efeito; o que abriu espaço para se construir o gabinete da directora, gabinetes para a Secretaria-geral, Secção de Reclusos, Serviço de Educação e etc., etc., que antes eram de dimensão reduzida e na parte inferior da Cadeia; assim como um posto médico para o Dr. Novais e a Enfermeira Margarida ali prestarem assistência aos reclusos. O subchefe Abreu tinha jeito e ideias para a construção destas obras. Depois de estas concluídas começou-se pela messe dos guardas e celas dos reclusos. O Estabelecimento Prisional parecia uma fábrica dadas as carências de obras a efectuar.
As activades dos reclusos seguia em franco progresso no que respeita ao trabalho e lazer. As idas ao pavilhão gimnodesportivo de S. Torcato decorriam lindamente. Os reclusos eram seleccionados conforme o seu comportamento e ocupação laboral. Se nessa semana faltassem ao trabalho ou afazeres, assim como: o seu asseio ou do seu aposento, no sábado seguinte não fazia parte dessa selecção. Procurava sempre contrabalançar com um misto de reclusos que beneficiavam da flexibilidade da pena e outros que não. Era-lhes dito o valor dessa concessão e que a estimassem porque enquanto corresse bem desfrutavam dela, caso contrário, acabava-se com tudo e como sempre quem se lixa é o mexilhão.
Um dia a directora chamou-me ao seu gabinete assim como o Professor José Manuel, informou-nos que tinha recebido um convite da Câmara Municipal de Guimarães para entrarmos com uma equipa de reclusos num torneio intermunicipal de futebol de salão (futebol de cinco), num rinque ao ar livre em S. Amaro. Disse-lhe que pela minha parte não via nenhum impedimento.
Fui com o Professor José Manuel ver as condições e as que vimos não nos agradou. Era num descampado o que nos dificultava a vigilância. Mesmo assim resolvi arriscar não sem antes fazer ver aos reclusos a responsabilidade que me caía em cima dos ombros se não corresse bem, não queria que os seus familiares para ali fossem com o intuito de visitá-los. Não eram proibidos de assistir aos jogos mas no que concerne a visitas isso não podia acontecer. Todos se prontificaram a que fosse um êxito.
E assim foi. Como prova disso, um dia, dois reclusos que faziam parte da equipa, um que beneficiava da flexibilidade da pena, o outro não, estavam a trabalhar entre muros e sem vigilância, resolveram saltar o muro que media para cima de três metros de altura e dali se evadiram. Uns dias mais tarde o que beneficiava da flexibilidade da pena a sua mãe e o padrasto foram-no entregar ao Estabelecimento Prisional. Passados uns dias foi transferido para o Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira. Do outro nunca lhe apanhamos o rasto. É ver como o ser humano reage. Parece que gostam de dificuldades para os seus intentos. Não me quiseram deixar mal.
No que respeita à classificação geral não foi nada boa. Também não entramos com o intuito de ganhar algo mas sim de competir. Mesmo assim ganhamos a taça de disciplina.
Fiz todo este intróito para demonstrar que o que hoje corre bem e é visto como um Estabelecimento Prisional modelo, antes teve o suporte de uns quantos que tudo fizeram para se respirar essa liberdade e sentido de justiça, como foi referido por Alberta Marques Fernandes e seus ilustres convidados.
Depois da ilustre intervenção de Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem de Advogados e de António Magalhães, Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, que verdade se diga, tem sido de uma abertura extraordinária para qualquer evento ou obra que ali se realize tendo posto por várias vezes as oficinas de carpintaria e serralharia da Câmara ao dispor do que for necessário, não ficava mal ao actual director do Estabelecimento Prisional Regional de Guimarães, Alves de Sousa, referir a obra por si recebida e que teve a chancela de uns quantos que passo a enumerar e que deviam figurar numas montras no gabinete do director e no da chefia da guarda no que respeita à vigilância.
 Refiro isto porque no gabinete da chefia da guarda do Estabelecimento Prisional do Funchal figuram as fotografias emolduradas, de quantos chefes ou subchefes que chefiaram aquele Estabelecimento Prisional. No do director isso não acontece porque ainda é o mesmo desde a sua inauguração. Mas para isso tem de haver sentido de justiça e reconhecimento - embora se trate de profissionais - o Estabelecimento Prisional do Funchal tem que chegue e sobre, embora os seus detractores, tudo façam para o encobrir.
Dos directores que passaram pelo Estabelecimento Prisional de Guimarães, desde Nelson Teixeira - ainda como Cadeia de Apoio – vou mencioná-los porque entendo que o merecem, embora Nelson Teixeira não acrescentou nada de bom ao seu funcionamento, pelo contrário; Maria Manuela Martins trouxe algumas ideias inovadoras e o Estabelecimento Prisional beneficiou bastante com isso, passando por Teresa Ruão, Zélia Fernandes, Paula, desta não sei o apelido, foi dirigir o Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz e Júlio que está actualmente a dirigir o Estabelecimento Prisional Regional do Vale do Sousa. Os subchefes Josefino e Abreu, dos chefes de guardas, Sá Couto e Eduardo Barreira este último com bastante responsabilidade na beneficiação do que é hoje o Estabelecimento Prisional de Guimarães e por último o Professor José Manuel em quem louvo pelo muito que deu e fez pelos reclusos e Estabelecimento Prisional.
Quando Alberta Marques Fernandes salientou as condições com que deparou no Estabelecimento Prisional de Guimarães, sem dúvida merecidas, ficava bem ao seu director quando teve oportunidade de falar, referir que o muito que ali está feito tem outros destinatários. Não me refiro ao evento levado a efeito nesse dia, esse tem a sua chancela e de quem colaborou nela, mas no que se refere às obras, ao bom ambiente e à “liberdade” que ali se respira também é pertença de outros.
Resolvi escrever os dois textos, ambos um pouco longos, porque também é longa a existência da Cadeia Comarcã, em tempo, hoje Estabelecimento Prisional Regional de Guimarães, para que se dê o seu a seu dono e, referir que Roma e Pavia não se fizeram num só dia.
Fim    

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