Rádio Freamunde

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Nada acaba:


De vez em quando gosto de reviver coisas passadas. Vou ao meu baú de recordações – memória – recolho as mais interessantes e delas faço um texto para publicar no meu blogue. O ter um... dá muito trabalho. Cá no burgo há falta de notícias o dia-a-dia é passado quase da mesma maneira. Por isso é que busco na memória o tempo da minha meninice e juventude. Parece que vejo o "campo da feira" recheado de miúdos a jogar a bola e em volta dele homens de várias idades assistindo ao prélio que eles disputavam em especial aos Domingos após a missa das oito horas. Havia adeptos para todos os gostos e feitios.
Encostado a um poste de electricidade que estava colocado no canto superior do campo, do lado da antiga Praça do Mercado, - foto acima - estava um "adepto especial". As pessoas que como ele assistia a esses jogos reservam-lhe o lugar. Via o futebol que nós miúdos praticávamos e ia anotando na sua memória os que tinham mais habilidade.
Eu na baliza, de calças curtas, ia aprimorando a minha actuação com o intuito de um dia ser convidado a prestar provas nas camadas jovens do Sport Clube de Freamunde. Como eu havia dezenas e dezenas de miúdos com essa intenção. Só nos restava esperar pela idade para comparecer à chamada, em panfletos, que o Sport Clube Freamunde afixava nos cafés e lugares públicos, a convidar os putos para a prática do futebol.
No ano de mil novecentos e sessenta e três a Associação de Futebol do Porto criou a categoria de Principiantes. Participavam jovens dos catorze aos dezasseis anos para disputar o Campeonato Distrital, nesse escalão. Nesse tempo só existia o escalão de Juniores - dezasseis, dezoito anos. 
Intervieram várias equipas de futebol da Associação do Porto. O Sport Clube Freamunde também se filiou e a partir daí começou para muitos jovens a carreira desportiva. Foi sol de pouca dura. Passados dois anos a Associação de Futebol do Porto acabou com essa modalidade. No primeiro ano o campeão distrital foi o Pedrouços Atlético Clube e no segundo Leixões Futebol Clube, com jogadores que vieram a formar a equipa denominada por "bebés".     
O treinador do escalão jovem do Sport Clube de Freamunde era o " adepto especial" que se encostava ao poste de electricidade. Sabia a posição a dar a qualquer jovem caso ele respondesse à chamada. Tratava-os como filhos. Quando os treinos não corriam bem, berrava com eles. Até na censura que fazia mostrava o carinho que nutria por eles. Foram centenas e centenas que passaram pelas suas “mãos”. 
Uns deram grandes jogadores e elevaram bem alto o nome do Sport Clube de Freamunde quando subiram à categoria de seniores. Foi treinador da equipa sénior do Sport Clube de Freamunde na época de mil novecentos e sessenta e sete, sessenta e oito, mas não foi feliz.
Naquele tempo o campeonato de juniores era resolvido pelo golo de diferença (goal average), para decidir o campeão de série, quase sempre, entre o Sport Clube de Freamunde e o Futebol Clube de Amarante. Que grandes jogos de futebol o Carvalhal assistiu!   
Quando o Sport Clube de Freamunde era campeão - foi várias vezes - os jogadores pegavam nele ao colo. Ele pedia para o pôr no chão e dizia que quem o merecia eram eles: os seus jogadores. Sim, que nós quase que éramos jogadores pertença dele. Quantas vezes tinha de resolver  problemas que não lhe competia e de vária ordem.
O campo da feira deixou de existir há muito tempo. Hoje é um parque de estacionamento para carros. Há muito tempo que ali não se disputam jogos entre miúdos. Não se concentram ali homens de várias idades e ao poste de electricidade o "adepto especial".
Tudo "morre"! Ontem fisicamente morreu o "adepto especial". Espero que perdure na memória e na toponímia Freamundense. Ele merece-o.

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