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domingo, 18 de março de 2012

Caxito! Como te recordo:

Ao dar uma vista de olhos pela blogosfera encontro referências a um texto escrito por mim sobre o Caxito. Sabe bem. Fi-lo com a intenção de dar a conhecer parte da minha vida vivida ao serviço de exército Português que como muitos jovens naquela época ali fomos cumprir o serviço militar. Não havia fórmula de evitar a ida à guerra. A não ser fugir do País. Mas isso estava fora dos meus horizontes. Sou muito apegado à minha terra – Freamunde.
Por isso fiquei a conhecer um pouco de Luanda. Do Caxito a Balacende fiquei a conhecer bem: Sassa, Mabubas, Quicabo, as lendárias Sete Curvas e Balacende. Tornou-se familiar aquele troço.
Sabia bem a ida ao Caxito. Foi autorizada a ida de duas escoltas por semana ao Caxito com paragem de umas boas horas o que dava para ali se comer um bom churrasco de frango, umas moelas e beber uma Cuca ou uma Nocal. E assim remediávamos esse tempo de isolamento porque o meu quartel ficava isolado de tudo.    
Quando ali chegávamos éramos cercados por várias dezenas de miúdos. No princípio estranhávamos esse cerco. Como tínhamos intenção de almoçar num restaurante não íamos precavidos com a ração de combate. Com o andar do tempo apercebemos-nos qual o motivo e sempre que ali nos deslocávamos levávamos a ração de combate para oferecer a um miúdo. Éramos logo abraçados por eles. 
A nós não custava nada essa ração, tínhamos direito a ela, se assim não procedêssemos quem ficava com o lucro era o exército, o que quer dizer o Comandante de Companhia e, entre um e outros, preferíamos a alegria dos putos. Mais a mais a maioria de nós tinha irmãos daquela idade e sujeitos às mesmas necessidades. A vida naquele tempo era difícil em Angola assim como na Metrópole.
À Fazenda do Margarido e Maria Fernanda fui uma vez numa escolta com  o furriel foto cine para ser exibido ali um filme. Sim! Todas as semanas - se a máquina não avariasse - lá tínhamos a exibição de um. Um dia em Quicabo, outro em Balacende, assim como um na Fazenda do Margarido e Maria Fernanda. 
Era a psicologia a funcionar para não nos tornarmos nuns seres embrutecidos que o passar a comissão de serviço isolado acarretava muitos dissabores quer para quem nos comandava quer na vivência entre soldados. Na parte final da comissão houve bastantes traumas.

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