Dizem que não há fome que não traga fartura. Ainda me lembro de quando era criança da maneira como éramos bafejados quer com a chuva, no tempo dela - Inverno - quer com sol, no tempo dele - Verão. Tínhamos períodos nas quatro estações, - Primavera, Verão, Outono e Inverno - as duas primeiras eram praticamente de sol e as outras duas de chuva.
Nesse tempo, a chuva era arreliadora, e causava transtorno à maioria da população. A agricultura não estava tão desenvolvida, quase tudo era laborado manualmente, desde o lavrar, ceifar, adubar as terras e outros artifícios.
De Inverno era trabalhar à chuva para se ganhar para comer e pagar ao senhorio, pois a maioria dos contractos eram à “terça”, para quem não saiba, do que se produzia duas partes era para o senhorio e uma para o agricultor, tendo este que arcar com a matéria prima.
Quando os Invernos eram agrestes o que se produzia não chegava para pagar o contractado e viam-se obrigados a ir trabalhar à jornada. Quer isto dizer que iam trabalhar uns dias por conta de outrem para poder pagar ao senhorio e fazer face ao dia-a-dia.
A indústria era o meio de trabalho mais seguro, embora se auferisse ordenados pequenos. Durante o ano tinha-se trabalho assegurado pois este era efectuado em lugares abrigados. A construção civil é que era o calcanhar de Aquiles para quem laborava nela. Trabalhavam meio ano, o outro meio, passavam-no em casa derivado à chuva, que ia de Setembro a Março.
Era nosso vizinho uma família numerosa de filhos. O pai era o único sustento, trabalhava na construção civil, no período da chuva passava os dias em casa. Sei das dificuldades por que passavam. Não havia os meios de Segurança Social como acontece hoje, os meios tecnológicos, caso do Boletim Meteorológico que prevê o tempo, bom ou mau, por um período de dias. De Verão constrói-se a parte exterior das casas ou apartamentos e de Inverno dá-se seguimento aos interiores.
Por estes factos a chuva era arreliadora e prejudicial para a economia familiar da maioria dos trabalhadores portugueses. Hoje faz-se promessas, auto de fé, dança da chuva, rezas e mesmo assim ela não aparece.
Temos que nos habituar à mudança que o planeta está a atravessar e em lugar de promessas é preciso estudar e cumprir o tratado de Quioto. Enquanto isso temos que viver com este drama: chuva quando não faz falta e seca quando não é desejada.


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