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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Sebastianas continuam a encantar gerações!

Ano após ano, num ritual sagrado aguardado sempre com grande entusiasmo, as Sebastianas continuam a desafiar o tempo e a deslumbrar gerações. Celebradas há mais de século e meio, as festividades — que se confundem com Freamunde — regressaram com o seu roteiro de sucesso, celebrando a memória antiga enquanto abrem os braços às novas correntes artísticas.

Por Ricardo Jorge Neto

Tudo começou com a habitual semana cultural, uma montra viva que deu palco ao talento das várias associações locais. O arranque emocional ficou a cargo do movimento OMESSA, que transformou a Loja Nova num baú de memórias com a exposição “Entre a Devoção e a Festa”. A mostra tocou na essência da história: ali estavam as míticas vacas de fogo, os tapetes da procissão, os "ferreirinhos" e a construção dos carros alegóricos. Uma exposição com a mestria de fazer dialogar o passado e o futuro, provocando a nostalgia dos mais velhos e o sorriso e o espanto dos mais novos. A partir daí, sucederam-se as quadras, o folclore, os Pedaços de Nós, a tuna e o fado. A fechar com chave de ouro, a mais antiga banda filarmónica do concelho aliou-se à voz inconfundível de Rita Guerra, num momento de beleza rara. Pelo meio, juntamente com a AJAF, o monte Acheira contou com a adrenalina da castiça corrida de carros de rolamentos.

A 9 de julho, as Sebastianas ganharam oficialmente vida. No palco principal, Bárbara Tinoco ofereceu mais do que um concerto: encantou tudo e todos com uma performance visual surpreendente. Na sexta-feira, como manda a tradição, o relógio de sol da Capela de São Francisco parou para homenagear gerações e gerações de festeiros. Cumprido o protocolo solene, a noite transfigurou-se: de bombo e caixa na mão, as comissões invadiram o asfalto numa arruada imensa, com as mulheres freamundenses a assumirem a linha da frente nesta procissão de batidas e orgulho. No plano musical, Nel Monteiro ganhou estatuto de rei absoluto do cancioneiro popular, enquanto noutro palco o ritmo do rapper Regula dava voz às inquietações das novas gerações. Na noite de sábado, os Quatro e Meia encantaram um mar de gente com a sua poesia e melodia, logo após as Sebastianas terem sido revisitadas em forma de um grandioso espetáculo de fogo de artifício. 

O domingo, o dia da mais profunda solenidade, trouxe o coração das Sebastianas de volta ao sítio certo. A majestosa procissão saiu à rua, erguendo-se como o símbolo vivo da gratidão e devoção eterna de Freamunde ao jovem soldado de Narbona, São Sebastião. A ditar o compasso solene estiveram a Banda de Freamunde e a Banda Junqueirense, de Vale de Cambra. Para elevar a temática das Sebastianas 2026, nada melhor do que a construção dos tapetes, que juntou nas ruas netos, filhos, avós e até bisavós num esforço comunitário, garantindo que os quilómetros de cortejo se façam pisando quadros artísticos de serrim — um elemento de enorme significado nesta terra de marceneiros. A noite de domingo acabou entregue aos Resistência, um projeto intemporal que, tal como esta festa, cruza os caminhos de músicos de várias eras. As madrugadas são o momento de disputa entre numerosos espaços de música com DJs, que competem entre si para captar o maior número de foliões. Nesta batalha musical, o rei é o volume do som: numa lógica de mais decibéis, mais clientes...

A festa das multidões seguiu a rápida contagem dos dias e desaguou na segunda-feira, o dia da apoteose criativa, onde os mestres construtores colocam nas ruas as suas obras-primas: os carros alegóricos. Sob a égide do tema “Gerações”, a marcha não deixou ninguém indiferente, porque se há algo que une os freamundenses são as Sebastianas de ontem, de hoje e de amanhã. As memórias vivas das festas moldam quem somos: as primeiras saídas à noite, os namoros, participar como anjinho na procissão, os primeiros excessos, as vacas de fogo, as girandolas, chegar a casa a horas impensáveis, apanhar as canas para os feijões e para os papagaios e estrelas, os amigos de sempre, fugir e participar no mel, dançar samba, grafitar uma parede, saltar e pular enquanto os guerreiros do bombo se esvaem em suor, ou ver o melhor carro da marcha que é claramente o que construímos…

Foram, são e serão séculos de emoções puras, alimentadas pelos freamundenses que deram continuidade a esta tradição de trazer para a rua a fé e a devoção a São Sebastião. A tradição continuará viva, e uma nova geração já prepara as Sebastianas 2027!

Seríamos piores ou melhores sem as Sebastianas? Talvez sim, talvez não... mas uma coisa é certa: sem elas não seríamos, nunca, freamundenses! 

OPINIÃO de Ricardo Jorge Neto

Gazeta de Paços de Ferreira

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