Partido saúda gratuitidade dos transportos mas quer reforço da oferta
pública para melhorar assiduidade, amplitude e capacidade.
A Comissão Coordenadora Distrital
do Porto do Bloco de Esquerda lançou uma petição pública a exigir uma rede de
transportes coletivos de qualidade e territorialmente coesa na Área
Metropolitana do Porto (AMP) e na Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa
(CIM-TS). A iniciativa surge num momento em que o tema dos transportes públicos
ganha cada vez mais destaque, seja pelo aumento do preço dos combustíveis, seja
pelas alterações climáticas, seja ainda pelo anúncio da gratuitidade dos
transportes na cidade do Porto - uma medida que o Bloco saúda, mas que
considera insuficiente enquanto não for alargada a toda a região.
Centenas de milhares de pessoas
que residem, trabalham e estudam na AMP e na CIM-TS continuam a enfrentar
diariamente supressões de comboios, sobrelotação, atrasos e uma oferta de
autocarros insuficiente, sobretudo nos concelhos mais periféricos. O Bloco de
Esquerda recorda que, apesar dos avanços conseguidos com o Programa de Apoio à
Redução Tarifária e, mais recentemente, com o Passe Verde, estas medidas têm de
ser acompanhadas de investimento público substancial e equilibrado, capaz de
corrigir as desigualdades entre municípios com receitas próprias distintas.
Entre as principais
reivindicações da petição estão o reforço do material circulante da CP e da
Metro do Porto, com um plano público e calendarizado que ponha fim às
supressões e à sobrelotação, e a garantia de maior fiabilidade e pontualidade
no serviço, incluindo climatização de todas as composições. O documento exige
ainda a estabilização da rede UNIR, com cumprimento integral dos horários e
reforço de autocarros, bem como a criação de uma rede intermunicipal de
transporte rodoviário no Tâmega e Sousa, articulada com a rede LINHAS, que
reduza a dependência dos operadores privados nas zonas menos densamente
povoadas.
A petição defende também a
universalização da gratuitidade dos transportes públicos a todos os residentes
da AMP e da CIM-TS, num esforço conjunto entre os municípios, as duas entidades
intermunicipais e o Governo, além do aumento da oferta e cobertura da rede -
mais frequências, maior amplitude horária e novas ligações intermunicipais
- e um financiamento público estável e plurianual para a mobilidade
metropolitana. Para o Bloco de Esquerda, o transporte coletivo deve ser tratado
como um serviço público essencial e como um instrumento central de coesão
social, justiça territorial e ação climática.
Na apresentação da iniciativa, a estrutura do partido sublinha que o Grande Porto "merece um sistema de transportes em que se possa confiar: pontual, acessível, confortável e justo para todos os seus concelhos", resumindo o objetivo da petição como "menos supressões e mais comboios, menos atrasos e mais autocarros, menos desigualdade e mais direitos partilhados".
16 de julho 2026 - 18:33
Do blogue da Esquerda
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