(Por Chris Pantelimon, in Reseau International, 16/07/2026, Trad. Estátua)

A única forma de os Estados Unidos manterem o controlo dos assuntos mundiais é através de uma guerra mundial — isto é, um conflito de grande escala em que os Estados Unidos assumam o papel de árbitro, e não de participante direto.
Os estrategas americanos não têm imaginação, razão pela qual repetem padrões de há um século — por exemplo, o rearmamento da Alemanha e a sua preparação para o combate contra a URSS.
Hoje, o inimigo designado, à primeira vista, é a Rússia, porque a Rússia está activa, mas o verdadeiro alvo é sobretudo a China, o principal rival estratégico dos Estados Unidos.
Um ponto deve ser realçado: para os americanos, não importa quem ganhe a guerra.
O rearmamento da Europa, supostamente concebido para a sua defesa contra Putin, pode muito bem levar à ruína da Europa. Tanto melhor! O que importa é a guerra e o árbitro (os Estados Unidos) na sombra, não o seu resultado.
Da mesma forma, o rearmamento do Japão, que só pode ocorrer em oposição à China, não significa que os americanos desejem realmente — ou esperem — que o Japão prevaleça (tal como não esperam que a Ucrânia prevaleça sobre a Rússia). A estratégia é mais cínica: o importante é provocar a guerra.
E os Estados que produzem ou compram armas (os infames 5% do PIB), outrora saturados de tecnologia militar, podem ser facilmente colocados uns contra os outros.
O caso ucraniano é um excelente exemplo. Uma Ucrânia bem armada será sempre um alvo para a Rússia. Mas o mesmo se aplica à Polónia ou a um Estado báltico. As tensões estão a aumentar e a história europeia, com todas as suas tragédias passadas, aguardava por isto: uma corrida ao armamento entre vizinhos. Nunca faltam motivos para a guerra!
Eis o que o CEO da Palantir escreve num livro de um franchise tipicamente americano sobre a política de armamento dos aliados dos Estados Unidos:
- Alemanha
“A resistência a novos investimentos militares tem sido, naturalmente, particularmente disseminada na Alemanha. Günter Grass, romancista e autor de ‘O Tambor de Lata’, opôs-se veementemente à reunificação da Alemanha Oriental e Ocidental, argumentando que um Estado alemão unificado poderia abrir as portas a outro Auschwitz. Em 1991, escreveu: ‘Nada — nem o sentimento de pertença nacional, por mais idílico que seja retratado, nem a certeza da boa vontade das gerações do pós-guerra — pode alterar ou apagar a experiência que nós, criminosos, juntamente com as nossas vítimas, partilhamos enquanto Alemanha unida’.
No entanto, a neutralização de facto do país nos últimos cinquenta anos teve consequências. A ausência de uma Alemanha forte e assertiva contribuiu, sem dúvida, para a invasão da Ucrânia pela Rússia em Fevereiro de 2022. Vladimir Putin calculou corretamente que não pagaria um preço significativo por essa ação. Após décadas de autoflagelação, o exército alemão passou a assemelhar-se mais a uma caricatura de uma força armada genuína”,
2. Japão
“O mesmo se aplica, em grande parte, ao Japão. A democracia mais rica da região necessitaria ainda hoje do apoio dos EUA para repelir — quanto mais sobreviver — a uma invasão em grande escala. (…)
O erro não foi dissolver o Exército Imperial Japonês e adotar salvaguardas legais destinadas a impedir a sua reconstituição no período imediatamente a seguir à guerra. O erro foi manter esta política durante três quartos de século, apesar da transformação da ordem mundial, incluindo a ascensão de uma China cada vez mais poderosa e assertiva, bem como um renovado sentido de ambição na Rússia.
O desarmamento e a privação das significativas capacidades militares da Alemanha constituíram uma reação excessiva, pela qual a Europa paga agora um preço elevado. Um compromisso semelhante, em grande parte teatral, com o pacifismo japonês ameaça, a manter-se, alterar também o equilíbrio de poder na Ásia”.
A conclusão é simples, como a história recente demonstrou!
Fonte aqui
Do blogue Estátua de Sal
Sem comentários:
Enviar um comentário