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quarta-feira, 22 de julho de 2026

REFLEXÃO - A EDUCAÇÃO ESCOLAR FORA DE CASA É BOA?

A escola existe para complementar a educação que cada criança recebe em casa, nunca para a substituir. A família continua a ser o primeiro espaço onde se aprendem valores, afetos, respeito e cidadania. Mas a escola desempenha uma missão igualmente indispensável: transmitir conhecimento, desenvolver o pensamento crítico e preparar as novas gerações para viverem numa sociedade cada vez mais complexa.
É precisamente por isso que as políticas educativas devem obedecer a um princípio essencial: colocar sempre o interesse dos alunos acima das disputas políticas ou ideológicas.
Há cerca de um ano discutia-se intensamente a intenção de reduzir ou reformular os conteúdos relacionados com a educação para a sexualidade e a saúde reprodutiva. Muitos especialistas alertaram que essa opção poderia limitar o acesso dos jovens a informação cientificamente fundamentada sobre o conhecimento do corpo, o consentimento, a prevenção de abusos, a saúde sexual e a responsabilidade nas relações humanas.
Independentemente das posições ideológicas existentes sobre esta matéria, permanece uma pergunta fundamental: será que uma criança ou um adolescente ficam mais protegidos sabendo menos? Numa sociedade onde continuam a surgir casos de abuso de menores, violência sexual, exploração através da Internet e desinformação nas redes sociais, a escola continua a ser um espaço privilegiado para fornecer informação rigorosa e desenvolver capacidades de proteção pessoal.
Mas a educação não se mede apenas pelos conteúdos que constam dos programas. Mede-se também pela forma como o próprio sistema funciona.
Os acontecimentos recentes relacionados com a digitalização dos exames nacionais vieram demonstrar que modernizar não significa, por si só, melhorar. A introdução de novos processos tecnológicos revelou dificuldades de organização, atrasos na divulgação das classificações e uma enorme ansiedade entre milhares de alunos e respetivas famílias. Em muitos casos, a incerteza prolongou-se precisamente no momento mais importante do percurso escolar: a candidatura ao ensino superior.
Acresce que muitos alunos que pretendem exercer um direito legítimo - pedir a reapreciação de uma prova - continuam sujeitos ao pagamento de uma taxa de 25 euros. Embora esse valor possa ser devolvido quando existe alteração da classificação, a verdade é que muitas famílias questionam se o exercício de um direito deve depender, ainda que temporariamente, de um encargo financeiro, sobretudo quando o próprio funcionamento do sistema foi objeto de críticas devido a falhas técnicas e organizativas.
Estes dois exemplos, aparentemente distintos, têm um denominador comum: mostram que a educação exige estabilidade, rigor e confiança. Ora, é isso que o atual governo e o atual ministro da educação não dão.
Os pais esperam que a escola transmita conhecimentos sólidos, proteja os seus filhos e funcione com competência. Os professores necessitam de orientações claras, de recursos adequados e de condições que lhes permitam ensinar com qualidade. Os alunos precisam de um sistema previsível, justo e capaz de responder às suas necessidades sem criar obstáculos desnecessários.
A escola não pode transformar-se num campo permanente de experiências políticas nem num laboratório de improvisações administrativas. Sempre que isso acontece, quem paga o preço são aqueles que menos responsabilidade têm nas decisões: os estudantes.
Educar é muito mais do que transmitir matérias. É construir confiança, formar cidadãos, desenvolver competências e preparar cada jovem para enfrentar um mundo em permanente transformação. Por isso, a verdadeira questão talvez não seja se a educação escolar fora de casa é boa ou má.
A verdadeira questão é esta: estaremos a oferecer aos nossos jovens uma escola suficientemente preparada para cumprir plenamente a missão que a sociedade lhe confiou?
Porque uma boa escola não se define apenas pelos programas que ensina nem pelos computadores que utiliza. Define-se, acima de tudo, pela qualidade das suas decisões, pela competência da sua organização e pela confiança que consegue inspirar nas famílias e nos alunos.
E essa continua a ser uma responsabilidade que pertence a todos: governantes, professores, pais e sociedade civil. Afinal, investir na educação nunca é uma despesa; é sempre o mais importante investimento no futuro de um país.

João Gomes 

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