Bastaram algumas horas sem conseguir aceder ao Facebook no computador para perceber algo que talvez muitos de nós não queiramos admitir: as redes sociais transformaram-se, para milhões de pessoas, na principal janela diária de comunicação com o mundo.
Quando essa janela se fecha inesperadamente, instala-se uma estranha sensação de vazio. Não porque a vida tenha parado, mas porque deixamos de aceder, de um momento para o outro, às opiniões dos amigos, às fotografias da família, às notícias partilhadas, às conversas habituais e à impressão de continuarmos ligados aos outros. É quase como se uma pequena parte do mundo desaparecesse por instantes.
Esta realidade deveria levar-nos a refletir sobre a dependência que fomos criando. Nenhuma plataforma digital deveria ter o poder de nos fazer sentir perdidos ou isolados. Precisamos de cultivar uma maior resiliência pessoal, recordar que a vida continua para além dos ecrãs e que a comunicação humana existia muito antes da Internet. As redes sociais são uma ferramenta extraordinária, mas não podem tornar-se a única ponte entre nós e a realidade.
Ao mesmo tempo, esta dependência revela outra transformação profunda da sociedade. Para muitas pessoas, as redes sociais deixaram de ser apenas um espaço de convívio e passaram também a ser a principal fonte de informação e de contacto com a atualidade. Milhões de cidadãos atribuem hoje maior credibilidade ao que é partilhado por familiares, amigos ou pessoas que acompanham diariamente do que ao que veem nos meios de comunicação tradicionais.
Essa mudança resulta, em parte, da perceção de que muitos órgãos de comunicação social se afastaram das preocupações concretas das populações, privilegiando agendas, interesses económicos, políticos ou editoriais que nem sempre coincidem com aquilo que os cidadãos consideram prioritário. Independentemente de se concordar ou não com essa perceção, ela ajuda a explicar por que motivo tantas pessoas procuram informação através das suas redes de contactos e das comunidades digitais.
Mas este fenómeno encerra igualmente um desafio. A confiança depositada na informação que circula entre amigos e conhecidos pode aproximar as pessoas, mas também exige espírito crítico. Nem tudo o que é partilhado corresponde à realidade, tal como nem tudo o que é divulgado pelos meios de comunicação tradicionais merece aceitação automática. A responsabilidade de confirmar, comparar e refletir continua a ser de cada um de nós.
Precisamos de recuperar o equilíbrio. Nem depender totalmente das redes sociais, nem aceitar sem questionar qualquer fonte de informação. A liberdade de pensar, de verificar e de formar uma opinião própria continua a ser a melhor forma de não perdermos, verdadeiramente, a nossa ligação ao mundo.
Bom domingo!

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