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sexta-feira, 10 de julho de 2026

As desculpas não se pedem... evitam-se:

"Esta imagem e manchete expõem com clareza uma das maiores feridas do sistema judicial português: a violação reiterada do segredo de justiça e o uso abusivo de escutas como arma pública, muitas vezes com cumplicidade ou omissão do próprio tribunal.

Quando José Sócrates diz “Não têm o direito de usar isto!”, ele tem razão do ponto de vista jurídico. As escutas são um meio de prova altamente sensível e restrito, só podendo ser usadas nos autos e apreciadas em sede de julgamento.
Não podem ser divulgadas à comunicação social, nem usadas fora do contexto estritamente judicial, sob pena de violação flagrante do direito à privacidade e do princípio do contraditório.
O facto de a juíza ter sentido necessidade de pedir desculpa é, em si, gravíssimo. Significa que houve uma falha no controlo e na gestão do processo, permitindo que uma escuta — provavelmente não autorizada para divulgação ou sequer admitida como prova — fosse tornada pública ou mal interpretada, alimentando ainda mais o circo mediático que tem envolvido este caso.
A origem desta exposição pública não é nova. Desde o início do processo, assistimos a fugas seletivas para a imprensa, a revelações parciais e manipuladas, a condenações na praça pública antes de qualquer sentença. Isto fragiliza profundamente o princípio da presunção de inocência e transforma o processo judicial numa novela sensacionalista.
A justiça não pode andar de mãos dadas com manchetes. A exposição mediática não pode substituir a investigação séria, nem a condenação pública pode substituir uma sentença justa e fundamentada.
A frase de Sócrates resume a revolta de qualquer cidadão que se veja na posição de arguido, mas que, antes mesmo de ser julgado, já foi julgado e condenado pela opinião pública, alimentada por fugas ilegais e uma comunicação social que prefere o escândalo ao rigor.
Este episódio demonstra ainda a fraqueza e falta de autoridade da magistratura em controlar o que deveria ser controlado. Quando a própria juíza precisa pedir desculpa, fica claro que o processo já está politicamente e mediaticamente capturado.
A verdade judicial deve ser construída em tribunal, com base em provas válidas, respeitando todos os direitos de defesa. Nenhum cidadão, seja José Sócrates ou qualquer outro, pode ser privado desse direito fundamental.
Por isso, a razão está do lado de quem defende um julgamento justo e isento. E a frase “Não têm o direito de usar isto!” não é apenas um desabafo, é um grito contra uma justiça que, tantas vezes, esquece os seus próprios princípios em nome do espetáculo."
Roubado a Herminio Cerqueira...e subscrevo!

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