A lei da nacionalidade não resolve nada. É teatro.
Antes de mais... não, não há nenhuma invasão de estrangeiros a pedir a nacionalidade.
Se calhar, há um grupo — os judeus sefarditas.
Mas esses? Silêncio total.
O «Parlamento CHEGA» engoliu a língua.
Tudo isto é uma cortina de fumo para esconder que estão a construir um país de castas — e tu és a plateia que paga o bilhete.
Os apoiantes do CHEGA ainda não perceberam que são as próximas vítimas. Que a armadilha está a ser construída debaixo dos pés deles.
Primeiro, criaram os «portugueses de bem».
Depois, inventaram os «portugueses de segunda» — os imigrantes que trabalham, descontam e pagam impostos como qualquer outro.
E como fizeram isso?
Pegaram em crimes hediondos.
Repetiram-nos em videozinhos até ao enjoo.
Colaram-nos a uma comunidade inteira.
Fabricaram o medo.
E, com medo,
aceitam leis «excepcionais».
Aceitam que uns portugueses valham mais do que outros.
Aceitam que a justiça deixe de ser cega.
E o gajo que ganha o ordenado mínimo ainda por cima aplaude,convencido de que está um degrau acima, a abanar a bandeira com orgulho de marioneta.
Não está um degrau acima.
Nunca esteve.
É apenas a marioneta útil e distraída — descartável assim que deixar de servir na tomada do poder.
Neste sistema, quem manda não é a nacionalidade.
É o dinheiro. Sempre foi, sempre será.
Hoje, são os imigrantes os «de segunda».
Amanhã, és tu.
Depois levas com um pacote laboral em cima — e já nem és de segunda.
És de terceira.
Precário, sem férias, sem baixa, cansado e sem futuro.
Mas, ao menos, não és imigrante, pois não???
No momento em que aceitas que há portugueses com menos direitos — sujeitos a leis diferentes, a uma justiça diferente — destruíste o princípio mais elementar da democracia.
Não há meio-termo. A partir daí, é sempre a descer.
Quem são os verdadeiros «portugueses de primeira»? Perguntas tu...
Não és tu, nem são os que votam no CHEGA.
São os que o financiam.
Os mesmos que te pagam uma miséria e se riem enquanto vêem dois terços do Parlamento dançar na palma da mão deles.
Ensinaram-te a odiar os de baixo para nunca — jamais — olhares para os de cima.
Ensinaram-te a dividir: os ciganos, os imigrantes, as mulheres, os de fora, os diferentes.
Sempre os de baixo contra os de baixo.
Nunca os de baixo contra os de cima.
E é assim — uma lei de cada vez, um decreto de cada vez, um medo de cada vez — que um país que era de todos vai sendo entregue às elites.
Quando o Tribunal Constitucional chumbar esta idiotice — e vai chumbar — já sei o que vem a seguir: o CHEGA em modo de vítima, com azia e lágrimas de crocodilo, a gritar que os juízes são o inimigo, a abrir a porta para meter lá dentro os seus próprios homens.
Para tornar esta hierarquia permanente.
Gravada na Constituição.
Intocável.
Este teatro tem dois objectivos. Nenhum deles é proteger-te.
O primeiro: habituar a sociedade a aceitar que há quem mande e quem obedeça — com leis suaves para uns, leis duras para outros.
O segundo: atacar as instituições quando estas travam o golpe, fingindo que são vítimas de um sistema corrupto.
Para depois terem a desculpa de o mudar.
O objectivo nunca foi esta lei, feita para ser chumbada.
O objectivo foi ensinar-te a aceitar que há gente que vale menos do que tu.
Tu, que votaste no CHEGA: espero genuinamente que estejas no topo desta hierarquia que ajudaste a construir.
Porque, se não estiveres — e provavelmente não estás — foste enganado de uma forma que vai doer muito mais do que qualquer imigrante alguma vez te poderia fazer.
Enquanto o povo discute quem é «mais português»...
os bilionários bebem champanhe e riem-se, perante a distracção perfeita que ainda por cima lhes dá votos para inclinar o país ainda mais para os seus bolsos.

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