NOTA
Desde a detenção de Sócrates,
logo nesses dias iniciais da segunda fase pública da Operação Marquês (a
primeira fase ocorreu meses antes, numa operação encoberta para interferir nas
eleições do PS entre Seguro e Costa), que se viu o poder judicial a ignorar a
sua obrigação de imparcialidade, com isso anulando a plenitude dos direitos e
garantias dos arguidos. Carlos Alexandre não só agiu com aliado do Ministério
Público — o que deixou lavrado com a sua assinatura — como depois se constituiu
publicamente como parte da acusação ao se permitir dar uma entrevista para se
vangloriar e para espalhar a sua convicção da culpabilidade de Sócrates quando
ainda se estava longe de haver acusação. A mesma estratégia de destruição
pública da presunção de inocência, e linchamento social, foi seguida por outros
juízes de tribunais superiores que incluíram nos seus acórdãos frases
juridicamente espúrias com a única finalidade de serem amplificadas pelos
órgãos de comunicação num frenesim de ódio triunfal.
Onde
está o levantamento, o estudo e a reflexão sobre este fenómeno? Escusado
contar com a imprensa para a tarefa, pois os donos e os editorialistas dessa
imprensa têm sido parte essencial na economia e na ecologia da indústria da
calúnia. O fenómeno é o da politização da Justiça com vista à judicialização da
política. Algo que é bem mais grave, e que é facto evidente, do que a estupenda
gravidade da hipótese de se ter tido um primeiro-ministro que foi corrompido.
6 Dezembro 2024 às 9:16 por Valupi
Do blogue Aspirina B
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