As comissões administrativas nascidas da vontade popular, em ambiente revolucionário, desmantelaram o aparelho político cujo ministro do Interior nomeava os governadores civis que nomeavam presidentes da Câmara que, por sua vez, nomeavam presidentes da Junta. Esqueceram-se os devotados cidadãos que as integraram, sem vencimento ou qualquer benefício, em numerosos concelhos. Foi o tempo da generosidade e de todas as utopias, terminado com as primeiras eleições livres dos órgãos autárquicos.
O poder autárquico adquiriu dinamismo com o entusiasmo semeado por essa geração de autarcas. Das aldeias às cidades foram fermento da transformação democrática do poder local que levou o saneamento, a eletrificação, a água canalizada, a pavimentação de ruas, a construção de escolas e tantas outras infraestruturas a todo o País.
Essa geração de servidores, generosamente empenhada a servir as autarquias, deu o melhor de si e merece que a seu entusiasmo e dedicação sejam exaltados e recordados.
Depois veio o pagamento de deslocações, ajudas de custo, indexação de vencimentos ao do PR, assessores, carros da função, motoristas, chefes de gabinete, secretárias, senhas de presença, despesas de representação e pagamento de funções em mesas eleitorais.
Hoje, porque a gestão não se faz com benfeitores ou amadores, cabe-nos apenas refletir sobre o número, atribuições e dimensão das autarquias e seus órgãos.
É um dever de gratidão prestar homenagem aos homens, ainda sem a participação das mulheres, e recordar os exemplos de cidadania, entusiasmo e generosidade com que serviram os municípios na ebulição da Revolução de Abril.
Carlos Esperança


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